Wednesday, March 28, 2007

Depressões nervosas na mulher africana

Estava a falar com uma amiga sobre depressões e sobre como esta doença das mulheres ricas do 1º mundo já atingia em grande escala as mulheres pobres dos 3º mundo.
Ela dizia que em africa não haviam depressões nem esgotamentos nervosos porque lá se vivia muito mais calmamente, que por lá se vivia numa onde “cool Raoul”.
Permitam-me que discorde desta teoria de sol, praia e “dolce far niente”. Africa é muito mais que resorts do grupo Pestana em Moçambique e safaris no Quénia. Aquela gente também tem stress, trânsito, contas para pagar, traições, empregos, chefes chatos, desemprego, filhos, drogas, doenças, tudo o que nós temos aqui. Mas se em Africa há menos depressões do que na Europa, ou ainda, se em Africa também já há depressões como na Europa a culpa é do aquecimento global.
Pois é, é culpa do aquecimento global. E não digo isto para agora vos vir pespegar com uma teoria do Al Gore nem para vos vir falar de pinguins coitadinhos e do urso polar e do gelo que está a derreter… nada disso. Mas a culpa das depressões em Africa e nas mulheres africanas é por causa do aquecimento global que está a alterar o clima. Vivemos com o clima de “patas para o ar”.
Já viram o tempo que está a fazer? Uns dias chuva, uns dias sol de verão, uns dias vento de levantar telhados. Quem consegue ter um cabelo em ordem com este tempo?
Estão espantados por eu começar a falar de cabelos? Mas que outro problema pode preocupar tanto a mulher africana como o cabelo?
Vocês já viram o tempo que a mulher africana perde no cabeleireiro? E os hidratantes capilares? E as máscaras? E os óleos? E as vitaminas? E o shampôo para retirar volume e o outro para “cachear”? E saber qual é o melhor se o creme de karité ou este com aloé vera? E os desfrizantes? E o desfrizantes sem sódio por causa da cor? Rolos ou brushing? E como se tudo isto ainda não bastasse, agora o alisamento japonês. Tudo isto somado é muito tempo, muita dedicação, muitas horas de conversa, de consulta, de experiências, manhãs de sábado inteirinhas no cabeleireiro. Ou seja, muita dor de cabeça. Claro que uma mulher se deita penteada num dia e no dia seguinte acorda e como está o tempo? Chuva num dia, sol no outro, muito vento no outro, tudo isto é de deixar uma mulher africana á beira de um ataque de nervos!
No sábado está a chover, a mulher africana pensa: bem, assim não vale a pena, ir ao cabeleireiro para depois estar a chover e o cabelo voltar ao mesmo, deixa estar. Vamos a ver, o tempo muda, faz um calorão e ela ali com a cabeça toda mal arranjada, que por muito bem que se vista nessa semana vai parecer que está sempre de fato de treino. Tenta dar um jeito em casa com o secador mas não vai lá. Em casa nunca fica bem! O secador da cabeleireira é mais potente que esta porcaria que tenho, que não dá para nada e na loja disseram que era dos profissionais. Assim não dá! Raios de carapinha! Pragueja ela. Então isto não é de levar uma mulher aos calmantes?
No sábado seguinte ela pensa, não, esta semana já não vou andar feia. Mete-se na cabeleireira. 3 horas: 1H de espera, 30 minutos para a máscara hidratante, mais uma hora no secador. É o filho mais novo que já não aguenta estar mais tempo ali no salão, nem comer mais “matutanos”. É a filha adolescente a telefonar que o pai está a perguntar a que horas é o almoço e se ela pode ficar com o troco das compras na praça. É o chegar a casa, pôr a agua a ferver para o “funge”, correr para aqui, correr para ali, e que já começo a transpirar, meu rico cabelo, tenho que por o lenço. Mas está bonita. Cabeça arranjada para o resto da semana. Chega a segunda-feira e está a chover, não saiu preparada de casa, apanha chuva, encolhe o cabelo. Assim não dá! Raios partam as carapinhas! Pragueja ela. Então isto não é de levar uma mulher aos calmantes?
Eu saio de casa penteada, quando chego ás amoreiras pareço o Zé Milho dos D’zrt, com o cabelo todo de pé, varrido pelo vento! Assim não dá! Isto é de levar uma mulher aos calmantes!

Sera possivel...

Tenho uma boa e uma má noticia para os perfeccionistas e pelos que estão apaixonados por perfeccionistas. Qual delas querem ouvir primeiro?
A má? Assim seja, a má é:
Será possível os “perfeccionistas” apaixonarem-se? Não. Não acredito que tal seja possível, desculpem uns e outros (os perfeccionistas e os que estão apaixonados por perfeccionistas) mas não acho possível.
O perfeccionista é aquela pessoa que procura realizar na perfeição uma obra ou tarefa, seja ela qual for. Gostam que tudo dê certinho. Então programam as coisas todas, fazem um esquema e seguem-no (religiosamente) porque querem ter a certeza de que tudo dê certo. E nós sabemos como é na paixão, ninguém consegue que dê tudo certinho… Há muito improviso, muito “em cima do joelho”, a inconstância da paixão não permite a “programabilidade” dos perfeccionistas.
O perfeccionista vai dar em doido tentando viver apaixonado de uma maneira perfeita. Mas não é possível.
Ninguém consegue programar a paixão. A paixão é indomável! Quando começamos a tentar domar a paixão, ela perde o encanto, esmorece, a chama enfraquece. Porque a paixão é irracional. Arrebatadoramente irracional.
Os perfeccionistas amam. Amam e sofrem muitas vezes porque gostariam de ficar apaixonados como o mais comum dos mortais, gostariam de ser arrebatados por essa força irracional que é a paixão, mas não vela a pena meus queridos perfeccionistas, nós só somos felizes se vivermos conforme os nossos instintos mais básicos e não vale a pena tentarem lutar contra esse vosso instinto inato da busca pela perfeição.
Mas uma vez amando, os perfeccionistas tentam levar a deles até ao fim. Lutam contra tudo e todos, moinhos e verdadeiros gigantes, mas o amor deles tem que ser perfeito.
Pronto, esta era a boa noticia.

Ser Feliz

Esta manhã estava a ver o Dr. Phill, eu só me levanto cedo para ver o Dr. Phill, e nos seus conselhos do dia, ele dizia:

“A vida é feita de escolhas. Nos decretamos como vamos viver nos próximos 10 anos pelas escolhas que fazemos hoje”

E isso é bem verdade.
Há uma musica que eu ando sempre a cantar e até já ensinei á minha Princesa, que diz:

Raindrops keep falling on my head/ But that doesn't mean my eyes will soon be turning' red /Crying's not for me/ Cause I'm never gonna stop the rain by complaining' /Because I'm free/ Nothing's worrying me.

Nos podemos escolher ser felizes ou infelizes. A escolha é nossa.
Temos problemas, é verdade. Temos problemas gravíssimos é verdade. Temos outros problemas mais ligeiros é verdade. Há dias em que parece que a nossa vida é mesmo como diz a canção:

Raindrops keep falling on my head/ And just like the guy whose feet are too big for his bed /Nothing' seems to fit /Those raindrops are falling on my head, they keep falling

E nós refilamos, lamentamos, gritamos e culpamos tudo que existe desde o alto do céu até ao fundo da terra. Mas também é verdade que por fazermos isso tudo não vamos conseguir fazer parar a chuva.
Não tem nada a haver com o fugir dos problemas, nós não podemos evitar que chova e ate que apanhemos uma valente molha se a chuva nos apanhar desprevenidos mas se corrermos e procurarmos abrigo vai ser muito melhor do que se ficarmos ali parados á chuva.
Há uma história do Winnie de Pooh em que ele e os seus amigos sopram o céu para afastar as nuvens para verem o sol por detrás das nuvens. Porque não fazemos isso?
Escolher viver para ser feliz.
Feliz, por saber que acima daquelas nuvens há um sol que vai brilhar.
Uma amiga minha, que está a comprar casa, teve uma desagradável surpresa. Tirou o extracto bancário e deu-lhe o “estrangulomangulo” ao ver o valor que o banco tinha cobrado pelas “despesas de processo” como eles chamam. A coitada ficou para morrer, porque era muito mais do que o que ela estava a contar e não “sabia o que havia de fazer á vida”, como ela dizia. Tinha ficado lisa. Realmente não havia nada a fazer, contra os bancos não há nada a fazer (máfia!) E quando eu falei com ela, ela só falava desse episódio negativo, e estava tão abalada que só já quase para o fim da conversa eu me lembrei do motivo pelo qual tinha telefonado:
- Olha já me esquecia, foram ai levar os moveis conforme tinham dito?
- Sim e montaram tudo, ficou tudo certo, mas já viste o que aconteceu?
- O quê? Chegou alguma coisa partida?
- Não, não, com os móveis ficou tudo bem, com o banco…
E retomou o lamento…
- Mas olha, apesar disso devias estar feliz – disse eu – as tuas coisinhas já chegaram, a tua casa nova já está toda bonita e mobilada…
- Pois, mas tu já viste isto do banco? – Lamentava-se ela de novo.

Quando daqui a 10 anos ela quiser lembrar o dia em que se mudou para a sua casa nova só se vai recordar da má surpresa do banco. E sempre que olhar para a sua casa nova só se vai lembrar do episódio do banco. E nunca, nunca se vai lembrar da sensação boa que é estarmos na nossa nova casa e vermos os móveis a chegarem, a casa a ganhar forma.
E essa é uma sensação tão boa…
No dia da minha amiga aconteceram duas coisas, uma boa e uma má. Ela escolheu que o dia dela fosse marcado pela coisa má.
Como os moveis até chegaram antes de ela ter ido ao banco, eu, no lugar dela, teria voltado para casa, claro, sempre a praguejar com o banco inteiro e todo o sistema bancário, atirava-me para cima no meu belo sofá, olhava em volta, via a minha mesa lindíssima com as minhas cadeiras maravilhosas, erguia o meu copo e brindava dizendo:

- Grandes ladrões estes gajos dos bancos! Mas olhem, meus queridos, não me conseguem lixar o dia, estou na minha casa e estou muito feliz, que Deus me dê muita saúde para eu poder pagar as vossas taxas absurdas e quando eu não conseguir pagar que venham cá buscar o que é puderem, mas por enquanto: Aqui eu vou ser feliz!
E dançaria: com feeling…yeh, yeh…

Ser feliz é escolher o lado bom do dia.

Saltos altos...(versão não Almodovar)

Hoje decide vir trabalhar de saltos altos, pode ser pouco estranho para uns mas para outros nem tanto, isto de se andar de saltos altos.
Nós já sabemos, logo pela manhã, ao calçarmos a 1ª bota, que hoje a nossa dor será de 7x7, não, não tem qualquer conotação bíblica, nem tem nada de perfeito, é mesmo cada centímetro de salto vezes cada hora de trabalho. Mas mesmo assim, as mulheres são este bicho estranho que suportam a dor mesmo quando não precisam dela. Aprendemos com as dores menstruais e depois é só ir por ai fora: dores de namorados, dores menstruais, dores nos pés, dores de maridos, dores menstruais, dores de pés, dores de partos, dores menstruais, dores de pés, dores de filhos, dores menstruais…
Mas até uma mulher como eu, que decidiu evitar a dor e sofrimento desnecessário, de vez em quando tem uma recaída e após uns bons pares de meses de sobriedade hoje tive uma recaída. Ainda agora começou o meu dia e já quase que me arrependo. Para começar levei 20 minutos a fazer um trajecto que faço em 10 minutos. Ou seja, sai de casa as 9h20 e cheguei atrasada, só cheguei ao escritório ás 9h40!
(Boss, desculpe, mas a culpa é dos saltos altos)
A minha vontade é de responder ao impulso imediato do “vou-me descalçar”, além do mais até estou sozinha aqui no escritório podia fazer isso… Mas não, vou vencer a vontade de me descalçar, vou permanecer calçada, com dores nos pés, mas firme á minha costela feminina. (Masoquista)
Assim que sai de casa deparei-me com um chão em calçada portuguesa, ou seja, gasta e suja, cheia de espaços entre cada pedra com tamanho suficiente para enterrar o salto da minha bota e ter que fazer aquele movimento acrobático de pés que é o de tirar o salto da bota sem tirar a capa.
E o primeiro pensamento que nos vem á cabeça é: Carmona, esquece o circo Domingos Névoa & Parque Mayer, esquece o Sá Fernandes, esquece as investigações da PJ, porque ainda não viste nada! Eu juro que te envio a conta do conserto do sapateiro se não mandas consertar esta calçada!
Foi então que me lembrei do conselho da minha querida amiga Sara, num belo sábado de sol, entre uma garfada de rucola e parmesão e num dia em que este quadro me parecia tão distante: “tens que olhar bem para onde pões os pés, tens que olhar para o chão e calcular em que pedra vais por o pé para evitares os intervalos entre elas”
(Obrigado Sarita)
E assim fiz, vim durante todo o caminho a calcular as distâncias, os passos, tudo milimetricamente, não admira pois que tenha levado 20 minutos!
Mas enquanto eu ia calcorreando milimetricamente a calçada lisboeta ia sendo ultrapassada por outras mulheres, elas também de saltos altos, e elas faziam o mesmo trajecto que eu mas com uma destreza tal que eu passei a ser fã delas.
(Pareciam umas gazelas!)
Elas pareciam o Cristiano Ronaldo a fintar os intervalos entre as pedras. Elas seguiam, caminhando seguríssimas em cima dos seus saltos altos, e eu pensava:
- Mimi, também já foste assim… lembras-te? Pois é… o tempo passa, tudo na vida são hábitos… tudo na vida se resume a “músculos” e a exercitá-los. Quando tu exercitavas o músculo do salto alto ele estava assim como o dessas mulheres, hirto e firme, deixaste de praticar saltos altos olha, deu no que deu…

Além do “pneu” abdominal, reparei que também tenho mais dois “pneus”, o do salto alto e o das dores nos pés, sim porque suportar a dor também é um músculo. E meu, está mesmo muito em baixo.

Sunday, March 25, 2007

Há um homem lá em casa

Tenho um anúncio a fazer:
-Na minha casa, há um homem!

(AHHH! – já vos estou a ver as caras de espanto…)

Pois é, para aqueles que pensavam que aquilo é quase uma manada de elefantes: só fêmeas, deixem-me que vos diga, pois bem, há um homem!

(AHHH! – ainda estou a ver as vossas caras de espanto…)

E é o primeiro homem que entra lá em casa a quem eu dou a volta a cabeça antes de abrir a garrafa de vinho!
O nome dele é, Sandro, tem uma cara muito simpática e está sempre a sorrir. Lá em casa ele tem a função dele muito bem definida. A função dele é: abrir as garrafas de vinho, podia ter outra qualquer, limpar o chão por exemplo, mas isso não seria muito fácil para um “saca-rolhas”…

(hã?!?!?!?!?!? – estou a ver as vossas caras de interrogação)

Pois é, é que o Sandro é um saca-rolhas muito giro da ALESSI que a minha querida mana me ofereceu, é que ela achava que fazia falta um homem lá em casa… para abrir as garrafas…

(Já agora, podem ir visitar a pagina “alessi” e comprarem outras coisas giríssimas para mim, gosto de tudo, sobretudo das fruteiras “campanas” )

Wednesday, March 21, 2007

Regras...

Esta segunda-feira, a minha Princesa teve um ataque de “TAS” (Toneladas de Açúcar no Sangue), o que a deixa hiper-mega-electrica e além de activar aquele corpito de 1m30 e 22 kilos que a faz saltar como se fosse uma corça, activa também aquela linguazita que nesses dias quase que ganha também 1m30. E então tenho que agir… não gosto nada disso… gosto muito de levar a minha vidinha no relax, mas “ok”… lá arregaço as mangas, respiro fundo e faço tento “domar” a fera.
Tenho que confessar que já não vou lá com grandes paciências, porque perante uma criança com TAS a paciência de qualquer um já diminui consideravelmente e a nossa primeira reacção é remete-la de volta para a casa de quem lhe provoca o TAS, mas “tasse bem”… cumprimos o nosso papel.
Então, esta segunda-feira, o tema foi: “ESTOU FARTA DE REGRAS E REGRAS E MAIS REGRAS”.
Já perto da hora de ir para a cama, já depois de um belo discurso da mãe, no meio da rua (ao que eu já cheguei!) sobre “esse tom de voz tem que mudar menina”, a Princesa, num pique de TAS, atirando com a porta do quarto diz:
“ESTOU FARTA DE REGRAS E REGRAS E MAIS REGRAS!”
Eu, calmamente, acabei o que estava a fazer, e disse: Rebeca venha aqui á mãe.
(lá em casa o “Rebeca venha aqui á mãe”, funciona como quando as nossas mães nos chamam pelos 2 nomes próprios)
Ela, pressentindo o perigo, apareceu de imediato, porque podia estar farta de regras mas mesmo assim e mesmo em pleno ataque de TAS sabia que esta regra ela não podia quebrar… mas não se sentou… permaneceu de pé, encostada á parede, mãos atrás das costas e a olhar para o chão…
-Estas farta de regras é?
(silêncio)
(fiz a minha voz de professora)
- Não estás a ouvir a mãe?
- Estou…
- E então? Quando a mãe faz uma pergunta o que acontece?
- Respondo…
(silêncio novamente)
- Estou sim, tenho muitas regras para cumprir, nunca posso fazer nada que me apeteça…
- Isso não é verdade filha, só não podes fazer coisas que não se podem fazer. A vida é assim, feita de regras para todos podermos viver. Mas olha, tu só tens 7 anos, deves viver pelo menos até aos 80 ou mais, já viste o que é aos 7 anos já estares aborrecida por teres que viver com regras? Como é que vais fazer para viver até aos 80? Vais viver quase 70 anos chateada já viste?
- Mas eu queria viver sem regras… tu pões muitas regras…
(e ao dizer isto já gesticulava mas sempre a olhar para o chão)
- Oh filha, eu e toda a gente! Se fosses viver com o pai também irias perceber que ele no dia-a-dia também tem uma série de regras. Ele foi criado com muitas regras. Toda a gente!
(Mas depois lembrei-me de uma coisa brilhante!)
- Sabes, há um grupo de pessoas que teima em viver contra as regras, pessoas que têm mania que não gostam de regras, e sabes onde é que essas pessoas acabam por ir viver maior parte das vidas? Na prisão!
(Os olhitos dela voaram do chão imediatamente em direcção aos meus)
(Boa! – pensei eu, pegou! – E vai dai, completamente embalada continuei)
- Essas pessoas acham que a vida tem demasiada regras, que a sociedade tem demasiadas regras, que não estão para isso de decidem começar a quebrar todas as regras, e depois, acabam por viver com muitas mais regras, porque na prisão, que é o sitio para onde vão viver as pessoas que têm mania que não gostam de regras…
(a repetição é uma das maneiras de aprendizagem …)
…vive-se com muitas, mas mesmo muitas regras! As pessoas lá têm regras para tudo! Para se levantarem, para se deitarem, para comerem, para os tempos livres, até para fazerem xixi e cocó as pessoas, na prisão, têm regras!
- Oh mãe, não é xixi e cocó, é urinar e defecar…
- Não filha, na prisão não se urina nem se defeca, lá é mesmo xixi e cocó!
(a Princesa estava horrorizada! Via-se nos olhos dela e eu deliciada com o quadro)
- Desculpa…
- Desculpa o quê?
- Desculpa mãe?
- Desculpar porque?
- Pelo que eu disse
(e as lágrimas rolavam-lhe pelo rosto…)

O meu coração por esta altura já estava partido, em cacos e farrapos, mas teve que ser, achei que mais vale ter o coração em cacos e farrapos por uma noite do que a vida inteira.

Com este muito bom exemplo até lhe passou o ataque de TAS e no dia seguinte o colinho da mãe deu para combater a ressaca de TAS.

Monday, March 12, 2007

Para que servem os homens?

Todos os dias nos perguntamos, sobretudo nos dias em que não há nenhum por perto e se o ultimo não nos foi de grande utilidade: “para que nos servem os homens?”.

Ontem, estava eu a deliciar-me debaixo de uns raios de sol á beira-rio, quando a conversa entre umas amigas sentadas num banco ao lado me chamou a atenção. Eram duas mulheres, na casa dos “quarentas”, sejamos simpáticas, loiras, como convém nessas idades, uma divorciada e pela proeminente barriga e pelo modo de vestir, digo eu, acredito que tenha tido um par de filhos e uns bons anos a cozinhar e a tratar de toda a casa, hoje, divorciada e com os filhos a dormirem até às 4 da tarde por terem chegado da discoteca as 8 da manhã, deu o grito do Ipiranga e decretou que já que eles não se dignam a almoçar com a mãe “nem aos domingos” ela ia deixar de fazer almoço e passar a almoçar fora porque até lhe saía mais barato e eles que comessem onde tinham estado até ás tantas da manhã, e por este motivo ela ali estava, a deliciar-se debaixo de uma sombra, sim porque aquela pele branca e naquela idade não requer muito sol, e além do mais, muito sol na cabeça e menopausa é um autêntico “cocktail molotov”… Esta amiga, com um “brushing” e “manicure” feitos em casa, vestida com um fato completo (calça/casaco) cor de rosa barbie com camisa de seda branca e uns botins pretos de salto agulha teimava em equilibrar-se em cima de tudo, dos saltos, do cinto que pretendia marcar uma cintura numa linha que já era invisível, do soutien que não cumpria a sua função, de suporte das “meninas”, que estava mais para bengala, já só amparava as ditas “meninas”, tentava equilibrar-se em cima de um louro com retoques recentes nas raízes, em cima da idade, e sobretudo em cima da vida, uma vida que ela não tinha desejado, que lhe tinha caído nos braços, que ainda hoje se lamentava do que passou com o divorcio e as partilhas, e os filhos, que só ela é que sabia…
A outra amiga, não tinha histórias de divórcios, nem de filhos, nem de coisa nenhuma, mas também sabia o que era separação, porque apesar de não ter casado no papel então não tinha vivido tantos anos com aquele estafermo? Não valia nada o gajo, rico tempo perdido. Ela também “equilibrista”. Também se tentava equilibrar um cima de umas botas altas de salto agulha, em cima de uma permanente com franja já cortada em casa, tentava equilibrar os óculos de armação de ferro na ponta do nariz e tentava sobretudo equilibrar a idade em cima daquele corpo. Era magra, de uma magreza que só consegue quem nunca casou e ganha pouco e fuma muito. Gabava-se de homem nenhum lhe por as patas em cima. Ai não, ninguém mandava nela! Que gostava de ter a liberdade de gastar o dinheiro dela como quisesse, que outro dia entrou naquela loja do chinês lá ao pé do snack e comprou aquele vestido só porque gostou, que não precisa porque tem muitos, mas gostou e comprou, que se vão os dedos mas ficam os anéis (e os vestidos, digo eu), mas que isso para ela era liberdade, comprar um vestido no chinês sem ter que dar explicações onde gasta o dinheiro. Que ela para ter um homem, era um para a ajudar, não para ainda dividir. Por exemplo o Carlos, para que é que ela precisava dele?
A amiga contrariou, que ela que não fosse assim, que ele até era muito amigo dela, que a ajudava muito. Sim, sim, ajudava… não ajudava nada era o que era. O que era ajudar? Ir buscá-la ao autocarro ao campo grande e leva-la ao trabalho? Para que é que ela precisava disso? Para isso ela tinha o metro, e até tinha o passe que dava até lá! Sim, porque era para isso que ela tirava o passe todos os meses, que não precisava dele para isso, isso não era ajudar. Para que é que ela precisava de um homem? Ela tinha tudo. Podia comprar os vestidos que quisesse no chinês e tinha o passe que dava para o metro. E olha, tinha comprado aquelas botas que tinham sido uma pechincha mas que passavam por bem caras!
A amiga dizia que um homem fazia muita falta, que principalmente quando se tem filhos eles respeitam mais o pai, um pai que se dê ao respeito, não como o que fez o dela, que os abandonou na idade quando eles mais precisavam dele.
Para que é que as mulheres precisam de um homem? Se eles nem bons pais sabem ser, são uns estafermos, não servem para nada, quer dizer, concluíram as amigas, lá vão servindo sempre para a mesma coisa, desde que tivessem jeito para aquilo, nisto as duas amigas estavam de acordo, mas havia uma condição, tinha que ser quando elas quisessem, sim porque isto agora já eram elas quem mandavam, ai sim, que já lá ia o tempo em que bastava eles chegarem que elas aceitavam, ai não, hoje eles têm que merecer e a elas que lhes apetecer.
A utilidade dos homens ficou assim reduzida a uma única função “descalçar as botas” destas amigas, quando elas precisassem.

Bem é como dizia uma amiga minha esta manhã, que teve um acidente com o fecho das botas: “conclusão: é para estas coisas que os maridos fazem muita falta, para "DESCALÇAR BOTAS"...

Friday, March 09, 2007

Há ou não há coincidências?

Não há coincidências…Ou será que há?
Vamos lá, pelo menos, ver uma ou duas das não coincidências, ou não, no mundo.
Outro dia, em conversa com um amigo e conversando acerca do Brasil, ele, baseando-se numa experiência vivida dizia que aquilo era uma real confusão naquele país, que era mesmo a republica das bananas.
Vamos lá “dissecar” esta afirmação: ora, republica das bananas…um país com muitas bananeiras… olharíamos para a paisagem e veríamos um quadro pintado de verde e amarelo, que é a cor das bananeiras, e que, por coincidência ou não, é a cor da bandeira do Brasil… Não há coincidências? Se calhar há…
Mas eu também já ouvi dizer que o nosso querido e rectangular (muitas vezes quadrado), país á beira-mar plantado também é a “república das bananas”. Mas será que isto é válido para Portugal? Vamos lá ver:
1 – A nossa bandeira tem cor de bananeira? – Não;
(Já está quase a cair por terra a “teoria” de que o nosso país é uma republica das bananas, já só falta mais uma questão)
2 – Há plantações de bananeiras a cobrirem a paisagem portuguesa? – Sim, há.
- Há?!?!? Aonde?
- Na Madeira…
- Ah! Na Madeira, pois é… na Madeira há paisagens cobertas por bananeiras… e aquilo por acaso…
É como se diz, se calhar até há coincidências… Ou será que não?

Thursday, March 08, 2007

Esta noite sonhei com o Nuno Artur Silva

Esta noite sonhei com o Nuno Artur Silva.

Imaginem, podendo sonhar com tantos homens, lindos, sensuais, bonzudos como o milho… não, fui mesmo sonhar com o Nuno Artur Silva. E para piorar a coisa ele trazia vestido, aquela coisa horrorosa daquele verde pavoroso com que outro dia moderou o programa dele, “o eixo do mal”. Claro que por estes indícios vocês já estão mesmo a ver que não foi nenhum sonho erótico…
Pois não, não foi não. Mas foi um sonho muito divertido. Imaginem que lá para o fim do meu sonho o Nuno Artur Silva se pôs a fazer psicanálise comportamental de esplanada, o meu tipo de psicanálise preferida e que eu também gosto tanto de praticar (pois, é que para eu sonhar com ele tínhamos que ter alguma coisa em comum, porque já sabemos que não poderia ser aquela peça de roupa verde-pavor que ele trazia vestido…) e usou a palavra “esgravatar” (!)
Bem, mas então o meu sonho foi assim… Não sei como encontrei o Nuno Artur Silva, nem como o conheci, mas ás tantas estava eu a conversar com ele e a dizer:
- "Sabe, se não fosse a sua presença, com o seu humor, esse programa seria um daqueles programas chatos, de comentadores chatos que engolem os moderadores. Mas não, o seu programa tem aquela pinta de você, o anfitrião, ter convidado os seus amigos para irem lá jantar a casa e entretanto vão falando sobre uma série de assuntos."
E ele ri-se e diz:
- "Ai é? Olhe, antes de mais obrigado por achar que eu estou bem nesse papel de “anfitrião”. Mas e o que acha dos meus amigos convidados?"
(Para quem não leu a primeira frase deste “post” já percebeu que eu só poderia estar mesmo a sonhar, porque o Nuno Artur Silva a querer saber a minha opinião sobre os amigos convidados dele… enfim…)
E claro que eu, quem me conhece sabe muito bem que a minha reacção seria mesmo esta, começo a dizer o que eu penso MESMO sobre os amigos convidados dele. E então começo:
- "Bem, o Judice, ele é muito amargurado… para já tem aquele aspecto de doente, e aquilo lá por dentro deve estar cheio de “raízes de amargura”… (lá estava eu no meu sonho a abrir precedentes para a tal “psicanálise comportamental de esplanada” que encontraremos a seguir…)
E o Nuno Artur Silva ia rindo ás gargalhadas dos meus comentários e apreciações…
- "O Daniel, o tipo é mesmo esquerdista! É incrível! Mas como vive muito os problemas dos pobres, da sociedade, tem o sentido de humor necessário para se levar isto sem ficar maluco… O tipo do Inimigo Publico é a prova de que a nossa televisão está mais virada para o modelo inglês do que para o modelo americano, em que os feios e gagos podem fazer televisão…"
E o Nuno Artur Silva continuava a rir ás gargalhadas dos meus comentários e apreciações… e pergunta-me:
- "E da Clara? O que achas da Clara?"
- "Bem, a Clara Ferreira Alves tem aquela atitude do… que aliás é humana, do “só sei que nada sei… mas que eu até sei!”
E ai, ele, “escangalha-se” a rir ás gargalhadas e diz: “Não achas que alguém que tem esse tipo de atitude é um bocado presunçosa?”
- “Não”, respondi eu, “eu no lugar dela, se tivesse tanto conhecimento como ela teria a mesma atitude, é humano, quando nós temos o conhecimento, sabemos, podemos é colocar antes o “só sei que nada sei” porque até fica bem, mas não aceitamos que nos digam coisas porque nós já sabemos.”
- “Então ela tem uma atitude à Marcelo?”
- “Não, são atitudes diferentes, a Clara Ferreira Alves tem a atitude do “só sei que nada sei… mas eu até sei!”, a do Marcelo é mais a do “estudei para este teste, agora faz-me lá as perguntas para veres como eu estou á vontade nesta matéria”, e a gratificação vem-nos da cara do inquiridor que ao ouvir a nossa resposta pensa lá para os seus botões “Carambas! Sabe mesmo!”, percebes a diferença?”
- “Sim, percebo” – respondia o Nuno Artur Silva sempre a rir às gargalhadas…
(Acho que as gargalhadas do Nuno Artur Silva foi o que mais me marcou neste sonho, o tipo ria-se mesmo a bom rir)
Bem, ás tantas no sonho, e porque os sonhos não têm lógica (pelo menos os meus), o Nuno Artur Silva, já sem gargalhadas, começa então a fazer a tal já falada “psicanálise comportamental de esplanada” e começa a dizer-me:
- “Mas tu não tens dúvidas, não perguntas, não queres saber mais para não te envolveres, então tu não queres nem esgravatar (lá está a palavra) a superfície. É uma maneira de te defenderes e evitares o aprofundar…”
- “Pois, se calhar, não sei, nem estou para ai virada, para perceber o porquê das coisas…”
- “Manténs a caixa fechada, intacta…”
- “Mas olha, já que mantenho a caixa fechada, já que se apercebem que eu mantenho a caixa intacta a única coisa que agradeço é que não finjam que a abriram e me venham com mentiras… é que para me mentirem têm quer ter um esquema muito bem montado, muito bem organizado, não podem preparar em cima do joelho, senão eu apanho ao dobrar da esquina e aí é que me chateio… as pessoas têm a oportunidade de não me mentirem porque eu não pergunto, por isso não me venham com justificações e histórias para coisas para as quais eu mantenho intactas dentro da caixa, não achas?”
E entretanto acordei… que chatisse… e lá ficou a conversa a meio com o Nuno Artur Silva… Mas também não quero saber do resto, porque se o Nuno Artur Silva aparece outra vez nos meus sonhos com aquela coisa verde-pavor vestida a primeira coisa que mando fazer, e mesmo a sonhar é:
- Opa, Nuno, dá para mudares de roupa? É que desculpa lá, mesmo no sonho, sem ter o cenário por detrás esse verde é mesmo feio e não te fica nada nem…

Monday, March 05, 2007

Filmes & Estatuetas Compª Lda

No sábado, fui ver “Dreamgirls”… simplesmente maravilhoso!
A “não ídolo” Jeniffer esteve realmente merecedora do seu “Óscar”.
Este filme, “dreamgirls”, assentava basicamente na beleza da Beyoncé, na versatlidade do Eddie Murphy, na segurança do Danny Glover e no magnetismo que o Jamie Foxx emana de todos os poros daquele corpo abençoado por Deus!
Havia também uma “estreante” nestas andanças, a Jennifer Hudson, e contava-se também com o talento musical dela para dar voz e corpo a uma mulher que sabia que tinha talento, aliás, muito talento, mas que não tinha humildade… que sempre tinha tido um comportamento de “diva” mesmo quando andava a tentar “ter um lugar ao sol”.
Mas é com esta Jennifer que nós nos regalamos durante todo o filme. A artista principal, cabeça de cartaz, é completamente ofuscada pelo brilho desta.
Durante o filme, numa das cenas, ela diz, creio que ao assistente social, que não procurou trabalho porque a única coisa que ela sabe fazer é cantar, e mesmo na vida real, é cantar o que ela sabe fazer, mas a voz dela é um “pacote” repleto de talentos, dentro do qual vem todo o resto. Ela representa através da sua voz. É arrepiante ouvi-la cantar:

And I am telling you
I’m not going
You're the best man
I'll ever know
There's no way I can ever, ever go
No, no, no, no way
No, no, no, no way
I’m living without you
Oh, I’m not living without you, not living without you
I don’t manna be free
I’m staying,
I’m staying
And you, and you, and you
You're gonna love me

Esta mulher, Effie White, punha paixão em tudo o que fazia. Ela cantava com paixão. Cantava com esta força tremenda que só a paixão usa. E apaixonada que estava pela sua música, apaixona-se pelo homem que se apaixonou pela música dela.
Esta música, “and I’m telling you I’m not going”, é cantada por ela no momento em que perde tudo.

E na voz, na representação desta actriz há a dor da perda, o desespero de quem vê o seu mundo e os seus sonhos ruírem, o desespero do não saber o que fazer. O desespero, a dor, o sofrimento, a perda, tudo ali estampado no rosto, na voz, na expressão desta actriz merecedora do Oscar…

Encontramos a mesma dor, o mesmo desespero ali estampado no rosto, na voz, na expressão do actor Djimon (Diamante de Sangue), enquanto Solomon Vaddy, um pai separado da sua família, agarrado á vedação do campo de refugiados na Guiné com a sua mulher e filha do outro lado e o filho levado pelos rebeldes numa guerra que não era a sua.
Se a Jennifer representa tão bem através da sua voz, Djimon representa maravilhosamente bem através do seu rosto. Mesmo em silêncio, na busca constante do seu olhar, nas contracções do seu rosto nós vemos, lemos, sentimos e arrepiamo-nos com tudo o que naquele instante vai na cabeça e no coração daquele pai. A estatueta também devia ter ido para este actor…

Este domingo, fui ver “Diamante de Sangue”… simplesmente maravilhoso!

Thursday, March 01, 2007

As mulheres e os homens vêem as coisas de maneiras diferentes?

De um modo muito básico podemos dizer que as principais partes do olho humano são: a córnea, que é a parte da frente do olho, onde vemos o branco do olho e a íris. A córnea normal é transparente e esférica. E o cristalino, que é uma lente gelatinosa, elástica e convergente que focaliza a luz que entra no olho, formando imagens na retina. A distância focal do cristalino é modificada por movimentos de um anel de músculos, os músculos ciliares, permitindo ajustar a visão para objectos próximos ou distantes.
A convergência correcta do cristalino faz com que a imagem de um objecto, formada na retina, fique nítida e bem definida. Se for maior ou menor que a necessária, a imagem fica fora de foco, como se costuma dizer.
A imagem é real e invertida mas isso não tem importância já que todas as imagens também são invertidas e o nosso cérebro adapta-se a isso desde o nascimento.

E isto é igual para homens e mulheres. Nascemos iguais.

Mas então porque é que as mulheres e os homens vêem as coisas de maneiras diferentes?

Eu, mulher, precisava de um candeeiro. Vi um candeeiro, achei giro. Já está lá em casa, pendurado na sala de jantar. O candeeiro é mesmo muito giro, parece um “bouquet” de copos de pé alto com lâmpadas lá dentro. É muito giro mesmo. Digo eu, mulher.

Um homem viu o mesmo candeeiro.

O homem olhou para o candeeiro. Eu (mulher) comentei. “Não é giro?”. “É giro”, comentou ele (homem), enquanto analisava o candeeiro. E acrescentou: “mas gasta muito não é?”
“Não sei, não faço ideia…” – respondi eu (mulher)
“De quanto é cada lâmpada?” – pergunta ele (homem)
“Não sei…já veio com lâmpadas…” – respondi eu (mulher)
“ Quantas lâmpadas são?” – pergunta ele (homem)
“Não sei… mas olha lá não é tão giro? Parecem copos de pé alto não é?” – respondi eu (mulher) tentanto mudar de assunto, e até porque estar a responder tantos “não sei, não sei” ficava mal…
“Então nunca contaste quantos “copos” são?” – perguntou ele (homem)
“Não.” – Respondi eu (mulher), ouvindo-se ao longe…1,2,3,4,5,6… o homem contava quantos “copos” eram…
“15,16,17,18. Ficas a saber, são 18 “copos” – informou-me ele (homem)
“18? Ena que tantos! Obrigado pela informação” – brinquei eu (mulher)
Mas ele continuava na sua “visão” de homem…
“Ora, isto são lâmpadas de quanto, deixa lá ver… - e levantando os “copos” viu – “de 10, então isto é 10 x 18. Ficas a saber, isto gasta muito.” – virando costas ao meu candeeiro tão lindo.
“Gasta?... Ah, pois é…” – disse eu (mulher), naquele jeito feminino misto de ignorância e inocência – “mas também não acendo muitas vezes…” – continuei, porque nós sabemos que, nestas coisas de “gastos” fica sempre bem acabar com uma boa dose de “loira burra” e a Marguerite Yourcenar que nos desculpe esta atitude.
“Mas é lindo não é?” – insisti eu (mulher)
“É muito giro é” – acabou por concordar ele (homem), mas aposto que na cabeça dele ele continuou com a resposta que me queria dar
“É muito giro é… pena é ter que ficar tantas vezes apagado não é? Porque 10 x 18… gasta muito…”

Generation Gap

Já ouvimos falar muitas vezes do confronto de gerações, “fosso” entre gerações, choque de gerações, aquilo a que nos habituamos a chamar de “generation gap”, também já devemos ter tentado explicar umas boas largas centenas de vezes o que isso é, mas para todos aqueles que nunca conseguiram encontrar as palavras certas para tal explicação deixo-vos aqui, como legado, uma experiência pessoal que revela o que é então a tal “generation gap”.

Estava eu esta manhã a ouvir rádio (comercial), quando o Pedro Ribeiro para minha delicia passa George Michael no tributo aos Queen – “Somebody to love”. Foi o momento alto da manhã! Foi lindo, o George Michael ao vivo a cantar acompanhado por milhares de vozes e nesta manhã por mais uma – a minha.

Estava eu, completamente em transe musical, a cantar: everybody neeeeeeeeeeeeedddddd somebody to looooooooooooovvvvvvvvveeeeeeeeeeeeeeeeee! – e abro a porta do duche, onde estava a minha princesa, com a toalha (quentinha) aberta, á espera dela, e eis que deparo com uns olhos a quererem dizer: mas o que se passa aqui?!?!?! Alô mãe… tas bem?...
Mas eu, ignorando o olhar, continuei: everyday of my lifeeeeeeeeeee…
E então diz-me ela:
- Oh mãe, sinceramente, não sei porque gostas tanto desse velho…
Desta vez quem não percebia era eu, “qual velho filha?” – Ah! Claro, ela está confundida, não conhece a canção… claro, só podia ser isso.
- Oh filha, quem está a cantar é o George Michael…
Fui interrompida por um “Eu sei mãe…” – sempre naquele tom de voz “alô???...está alguém em casa?...”
“Sabes? E então… ele não é velho… o George Michael é…
(interrompida novamente sem que pudesse terminar a minha frase)
- Mãe eu sei quem ele é, é aquele que tem assim um bigode e depois uma barba que também parece um bigode… e tem umas sobrancelhas assim (e faz o desenho do formato das sobrancelhas do George Michael e acrescenta)… que parece o diabo…e então ele não é velho é o quê?

… Acredito que esta experiência pessoal revela o que é então a tal “Generation Gap”…