Friday, June 01, 2007

Dia Mundial da Criança

Hoje é o Dia Mundial da Criança e não podia deixar de falar do Ex.mo Sr. Juiz Relator Artur Rodrigues da Costa. Aliás, permitam-me que faça uma alteração ao título deste senhor, permitam-me que o trate por Sr. Juiz Predador Artur Rodrigues da Costa. (Será que ele se zanga e que põe um processo em tribunal por isto? Pois que ponha, vá para a fila que há mais gente a querer fazer o mesmo).

Não sabem quem é este juiz? É o tal juiz que reduziu de 7 anos e meio para 5 anos um homem acusado de abuso sexual a um rapaz de 13 anos, obrigando-o a manter sexo oral e anal. De acordo com este juiz a culpa do abusador tem que ser diminuída porque a vitima teve erecções e ejaculações e ninguém reage assim á força.

Não sei quantas vezes, este senhor Artur Rodrigues da Costa foi abusado sexualmente ou abusou sexualmente para saber que quando se é vítima de abuso sexual não se tem erecções nem ejaculações. Eu fui perguntar. E fiquei a saber que o pénis reage por estímulos, ou seja quando é tocado reage, podendo mesmo haver erecções involuntárias. Será que o Douto Juiz sabia disto? Bem, continuando, fiquei também a saber que podem haver ejaculações involuntárias, ou seja, o pénis é tantas vezes estimulado que acaba por ejacular. Com isto não se quer dizer que houve nem desejo, nem prazer, nem vontade, foi involuntário. Foi uma reacção.
Ao pensar nisto nestes termos ainda me dói mais pensar no pobre rapaz, que se viu a ter erecções e ejaculações no meio de tanto sofrimento.

As palavras deste Sr. Artur Rodrigues da Costa só me fazem lembrar as palavras de um abusador de uma menina que dizia para justificar o seu acto animalesco que “ela estava mesmo a pedi-las, andava sempre para ai quando já andava a lançar corpo”. A culpa, neste caso, seria da pobre menina, de 12 anos, que devia ter ficado fechada em casa porque “já andava a lançar corpo”. Os selvagens dos perpetradores que são cheios de malícia doentia que fiquem livres e soltos, que se trancam nas prisões as crianças que gostam de correr e brincar, e rir, pular, enfim que são simplesmente crianças.

Este juiz alegou ainda dizendo que uma criança de 5 ou 6 anos não é a mesma coisa que um rapaz de 13 anos, já a despontar para a puberdade. Ora, a não ser que este senhor pretenda mudar a Lei do nosso país a seguir ao almoço e enquanto limpa os seus bigodes farfalhudos, mas por enquanto a nossa Lei diz que antes dos 14 não existe consentimento sexual. Ou seja, dos 0 (zero) aos 14 (quatorze) é crime!

Mas é por haverem pessoas com mentalidades como a deste senhor, cuja profissão é lamentavelmente Juiz Relator, que a pedofilia encontra sempre uma justificação na boca dos predadores. Estão agora a ver porque chamei “predador” a este senhor Artur Rodrigues da Costa? Porque eles têm todos o mesmo discurso, da justificação de coisas injustificáveis. Não há justificação possível para diminuir a pena de um homem que abusou de uma criança de 13 anos. Não há justificação para diminuição de penas para violadores de crianças.

Sabe porquê Ex.mo Sr. Juiz Relator? Porque daqui a 5 anos, você já nem se lembra que disse que ninguém tem ejaculações e erecções á força, até porque, para conseguir o mesmo feito já deverá estar debaixo do efeito e da força da milagrosa pílula azul. O violador estará livre, e voltará a violar outra vez uma outra criança, se calhar outra na puberdade para ter sempre um “perfeito álibi”. A criança que aos 13 anos foi vítima de abuso sexual será daqui a 5 anos e por toda a sua vida um homem triste, com problemas em lidar com o próprio corpo, com problemas psicológicos, com problemas na sua vida sexual e sentimental e quem sabe quantas vezes não tentará o suicídio.

Acho que neste Dia Mundial da Criança, devíamos encher a secretária do Sr. Juiz Relator Artur Rodrigues da Costa, com fotografias, relatos e testemunhos de crianças vítimas de abuso sexual até que ele perceba que o violador é somente condenado a um determinado número de anos de prisão, mas a criança, essa vai ficar condenada para o resto da vida à prisão do sofrimento causado pelo abuso sexual, psicológico e físico que sofreu.

Sr. Artur Rodrigues da Costa, Feliz Dia da Criança para as crianças da sua familia que se sentem muito mais protegidas por saberem que homens como o Senhor estão à frente da justiça em Portugal.

Alegações da Princesa

Recebi uma notificação do Instituto de reinserção social para me apresentar, juntamente com a minha Princesa, para uma avaliação do estado da pequena.

O pai da minha princesa, um verdadeiro sapo, daqueles sapos mesmo sapos, que mesmo beijados milhares de vezes nunca chegam a príncipes, pediu a alteração de regulação do poder paternal em Julho do ano passado. Ora eu fui notificada em Dezembro para responder, respondi e agora em Maio a pequena é chamada para uma avaliação… os tribunais andam muito depressa nós sabemos… Alegava o pai, entre outras mentiras, que a criança sofria imenso com a separação do pai e que estava psicologicamente abalada pela distância imposta pela mãe, sobretudo porque a mãe tinha mudado de residência (do Barreiro para Lisboa, cidade onde ele trabalha e que distam de 15 min de transportes públicos (!!!) uma da outra), e que ao retirar a criança do “seu meio natural” (isto não sou eu a inventar, é “ipsis letris” ele usou estas palavras, eu já tinha ouvido estas palavras quando mudam os animais selvagens do seu “habitat” natural para um qualquer zoo, mas para uma criança… enfim, opções linguísticas talvez… mas como é com ele vamos continuar sem perceber…), dizia eu, ou melhor, ele, que ao retirar a criança do seu meio natural, de perto das pessoas que a amavam como tios e avós, a criança tinha sofrido um grave choque psicológico visível no comportamento da criança.

Eu nem vou comentar as alegações que ele apresentou, vou ficar pelas respostas da minha Princesa ontem á noite quando eu tentava explicar o que era este organismo, quem eram e o que iam fazer, porque como podem calcular esta situação assusta qualquer adulto quanto mais uma criança de 7 anos cuja única preocupação na vida é se a Marisa canta melhor do que ela ou não, e se há alguém na escola que dance hip-hop melhor do que ela… e claro se a mulher no Nick (dos Westlife) também engordou e ficou feia depois de ter os gémeos (aqui se nota a elevada nota feminina existente no ADN da Princesa J)

Então explicava eu que neste instituto eram todos muito amigos das crianças, que estavam lá para proteger de todas as crianças, para verificarem se s crianças iam á escola, se não sofriam maus tratos por parte de pessoas más, se sofressem eles afastavam as crianças dessas pessoas perigosas, eles eram sobretudo amigos das crianças. E ela interrompe-me:
- Meus amigos é que não são…
- Sim filha, são, porque eles só querem o teu bem, querem verificar onde há a verdade e a mentira, para depois poderem decidir o que é melhor para ti.
- Não são meus amigos não, eu não os conheço de lado nenhum! Para se ser amigo é preciso conhecer muito bem, e para mim eles são uns desconhecidos.
Depois, após várias explicações, exemplos e conversa diz ela:
- Olha se eu vou lá é só para dizer uma coisa – e erguendo o seu dedo em riste continua: Eles que nem pensem, mas que nem pensem que eu vou ficar impedida de viajar para o estrangeiro, eu viajo quando eu quiser! E o meu pai que nem pense, mas que nem pense que me vai impedir! Porque eu vou lá dizer: oiçam lá, se eu não poder viajar quem é que vai perder as oportunidades? O meu pai? Não, sou eu! Quem é que vai sair prejudicado? O meu pai? Não, sou eu! Por isso, nem pensem que eu não vou poder viajar até à Inglaterra! Nem me tentem impedir! O meu pai teve muita oportunidade de viajar se não viajou o problema é dele, eu adoro, simplesmente, adoro viajar e por isso nem me tentem impedir! E todas as coisas que faço é porque eu gosto! Eu gosto de ballet, gosto de hip-hop, gosto da minha escola e adoro viajar, por isso deixem-me fazer as coisas que gosto de fazer! E eu vivo muito feliz assim como vivo! Pronto é isso que lhes vou dizer, mas eles não são meus amigos.

Isto também é “ipsis verbis”. Pode custar a acreditar para quem não conhece a Princesa pessoalmente, que uma criança de 7 anos fale desta maneira, mas ela é mesmo assim, sempre foi. Custa a crer não é? Pois… parece ensinada não é? Pois… mas não é, isto é natural. Espero que técnico do instituto de reinserção social não venha a ter dificuldades em acreditar neste discurso natural. Mas por outro lado fico descansada, porque quem fala assim não é gaga e desta maneira o tal quadro negro psicológico descrito pelo pai fica reduzido ao tamanho necessário para que se possa escrever esta frase:
“Ne me lixés pas les cornes!”

Que já agora, deixem-me avisar, esta no mapa genético dela. Os técnicos do instituto amigo terão que fazer um exame de ADN a toda a família materna para perceberem que é natural, mais uma vez, natural…assim como a sede.