Thursday, April 26, 2007

Tomatada de 25 de Abril

Inicio da tarde do dia 25 de Abril de 2007, rotunda do Marquês de Pombal, mais propriamente por debaixo do cartaz do PNR.
Agente da PSP: Minha Senhora, não pode passar por aqui.
Mãe: Desculpe, não reparei… Obrigado.
Filha: Mãe, porque é que a policia está aqui? Porque é que não nos deixam passar?
Mãe: Não sei, filha, devem ser medidas para organização do desfile.
Filha: E mãe, porque é que estão tantos tomates no chão?...
Mãe: Deve ter sido alguém que entornou a salada…

Ontem descemos a Avenida pela Liberdade

Ontem descemos a Avenida da Liberdade numa aula em dia de feriado.

Emocionei-me ao ver Abril nos olhos daqueles que verdadeiramente sofreram por Abril. Emocionei-me ao explicar á minha filha o que foi Abril, as torturas que muitos passaram para que ontem pudéssemos celebrar Abril, o dia da Liberdade. Emocionei-me ao ouvir aquele coro de vozes populares a cantar “E como ela somos livres, somos livres de voar”. Uma liberdade que eu já conheci, que eu não me imagino a viver sem ela, uma liberdade que alguém conquistou por mim. O sacrifício de muitos por mim. Para que hoje eu viva livre em democracia.

É minha obrigação, como mãe, ensinar e educar a minha filha a viver em liberdade e a desejar sempre essa liberdade. A lutar pela liberdade. A levantar-se sempre contra todo e qualquer autoritário, e nunca mais permitir que no seu país se possa levantar um ditador. A perceber o que é a democracia e a desejá-la.

Ontem descemos a Avenida pela Liberdade.

Tuesday, April 24, 2007

Sintra... Vila romântica...

“Sintra… Vila romântica de ruelas e história escondida…”
Sempre ela ouvira falar assim de Sintra, e de facto era verdade. A indescritível beleza de todo o caminho até ao centro da Vila, o perfeito casamento da natureza nas cores, formas e cheiros… O idílio romântico, harmonioso, da arquitectura minuciosa com a natureza selvagem... O romântico… os pares, os enamorados, os amantes… contemplando o belo verde da natureza… e beijando-se…levados pela harmonia das estradas serpenteadas até ao infinito do Castelo da Pena… e beijando-se… Sentindo os delírios românticos da romântica Vila de Sintra… e beijando-se… beijos apaixonados, ternos, meigos, fortes, ofegantes, entrecortados…

Ela olhou na direcção dele, era possível sentir todo o misticismo do romantismo de Sintra através da sua pele fina, e era mesmo de facto verdade… ele, olhando para ela disse:
- O que foi? Olha, não estou para ficar á espera tanto tempo, vamos ali á frente comprar as queijadas, são as mesmas e nunca está ninguém.

Se facto era verdade… ela sempre ouvira dizer que o romantismo não existia e agora tinha a certeza de que o romantismo é como as pizzas de 5 minutos no micro-ondas, tem que ser “pré-cozinhado”.

Monday, April 23, 2007

Cabelos electrizantes...

Ao fim de 13 anos na mesma empresa vou apresentar a minha carta de demissão e vou apresentar a minha candidatura para a EDP.

Mas não, não vou ser desses que andam para ai a tocar ás campainhas com toda a força e a gritar: “EDP! Leitura!!!”, vou-me candidatar mas para uma coisa maior! Não, também não é para nenhum cargo de directoria… acho que me vou candidatar a um posto de “fonte de energia”.

Vou seguir o conselho que um amigo meu me deu no sábado, dizia ele que eu não aproveitava os meios que eu tinha para poder fazer dinheiro extra, pois bem, mas agora estou decidida: vou usar! Vou usar o meu recurso natural, a minha própria electricidade.

Esta ideia já me tinha ocorrido no passado, quando um dia, em conversa com uns amigos meus ali no Príncipe Real e enquanto falávamos de pés, eu me lamentava do formato dos meus pés (em bico) e sobretudo do facto de ter o dedo comprido mesmo comprido (aquele ao lado do grandão, o 2º dedo a contar da esquerda para a direita se tivermos a olhar para o pé direito, mas se estivermos a olhar para o pé esquerdo terá que ser o 2º dedo a contar da direita para a esquerda). Explicou-me então uma das personagens envolvidas na conversa, que as pessoas que têm esse dedo comprido são pessoas iluminadas! Bem, nessa hora, nesse mesmo instante, eu percebi que eu podia andar pelas ruas escuras da cidade sem qualquer problema porque eu, com o tamanho do meu dedo comprido, trazia a luz do dia a qualquer beco escuro.

Nessa altura ainda pensei, envio ou não a minha candidatura á EDP?... Na dúvida, não o fiz. Mas este fim-de-semana algo apagou por completo a duvida que havia em mim relativamente a uma carreira de sonho na EDP. O meu cabelo!

No sábado lavei a cabeça, sequei o cabelo e ele ficou todo eriçado, olhei-me ao espelho e pensei: olha, pareço um ouriço”, mas pronto, evitei ver-me ao espelho durante o resto do dia e lá se fez como diz o ditado: longe da vista…. Domingo de manhã acordo e o cabelo ainda estava mais “ouriçado” que no dia anterior, dei-lhe com gel, com creme, com água, nada… parecia que o tinha lavado com champô azul dos laboratórios Pfizer… ao fim da tarde, já eu estava sem grandes esperanças relativamente ao cabelo, quando me telefona a cabeleireira, eu nem estive para aquelas conversas de como vais, como foi o dia, entrei logo a matar:
- “Não vais acreditar… o meu cabelo…”
- “O que foi?” – claro, com uma coisa destas ela ficou logo inquieta.
- “ Está eriçado, mas eriçado mesmo! Desde ontem e não há nada que o “des-eriçe”…
- “ Mas o corte é mesmo assim, para ficar eriçado…
- “ Pois, mas hoje está mesmo demais querida, não é só em cima, dos lados também…
- “ O teu cabelo tem muita electricidade, por isso é que se presta para esse corte. Quando é para ficar em pé ele fica em pé.
- “E quando não é?” – perguntei eu e ela riu-se…

Pois, quando não é para ficar em pé… ele fica na mesma em pé… e porquê? Porque como diz a cabeleireira: tem muita electricidade.

Sendo assim estou decidida: vou iniciar uma nova vida profissional, como fonte de energia e usando os meus recursos naturais da cabeça aos pés.

Friday, April 20, 2007

E assim nasceu no homem primitivo a ideia do pecado da preguiça

Mana Nilde, esta versão é para ti…

… E assim nasceu no homem primitivo a ideia do pecado da preguiça…

Hoje esteve um daqueles dias horrorosos de vento e chuva. Fui almoçar a casa, e quando entrei reparei que a janela da casa de banho estava aberta (em batente), e pensei, “que se dane, não vou lá entrar para fechar a janela, não me apetece”.
Mas havia uma voz em mim que me dizia “Mimi, é melhor ires fechar a janela… olha que está muito vento…”
“Não vou nada!” Decidi. E não fui.
Às tantas, estava eu calmamente a almoçar quando ouvi um enorme estrondo vindo da casa de banho! Era um barulho de uma janela a bater e de frascos a caírem ao chão.
“Oh que chatice! Bolas! Lá tenho eu que me mexer!”
Fui a casa de banho e deparo com a janela escancaradamente aberta e todos os frascos e cremes e sei lá o que mais que as mulheres conseguem juntar numa casa de banho pelo chão.
“Fogo! Ganda trabalheira! Raios de temporal! Francamente! Chego a casa toda molhada e ainda me dá esta trabalheira toda!” – Estava mesmo zangada.
Tudo espalhado… tremenda confusão…
“Vês menina Mimi o que dá a preguiça? Se tivesses vindo fechar a janela…” – dizia a tal voz dentro de mim, toda contente a dizer 1-0!
“1-1, não vou arrumar essa confusão toda agora, espera, ninguém manda cair, ainda por cima partiu-se o meu perfume preferido, que se lixe” – retorqui eu.
“Olha que se depois quiseres utilizar a casa de banho… isso vai estar tudo pelo chão…”
“Aguento e faço mais tarde”
“Não sei se vais conseguir…”
“Claro que vou! E cala-te!”
“ E quando ouvires o barulho da água a correr… vai-te dar vontade…e depois vai ser pior, porque vais estar aflita e ainda vais ter que andar a limpar tudo do chão… quem te avisa… olha ao que te levou a preguiça… já houve um perfume que se partiu…”
“Grrrrrrrrr! Que xata!”

Se há janela, há benção, é bíblico.

Hoje esteve um daqueles dias horrorosos de vento e chuva. Fui almoçar a casa, e quando entrei reparei que a janela da casa de banho estava aberta (em batente), e pensei, “que se dane, não vou lá entrar para fechar a janela, não me apetece”.
Mas havia uma voz em mim que me dizia “Mimi, é melhor ires fechar a janela… olha que está muito vento…”
“Não vou nada!” Decidi. E não fui.
Às tantas, estava eu calmamente a almoçar quando ouvi um enorme estrondo vindo da casa de banho! Era um barulho de uma janela a bater e de frascos a caírem ao chão.
“Oh que chatice! Bolas! Lá tenho eu que me mexer!”
Fui a casa de banho e deparo com a janela escancaradamente aberta e todos os frascos e cremes e sei lá o que mais que as mulheres conseguem juntar numa casa de banho pelo chão.
“Fogo! Ganda trabalheira! Raios de temporal! Francamente! Chego a casa toda molhada e ainda me dá esta trabalheira toda!” – Estava mesmo zangada.
Quando, eis que olho para o chão e vejo o frasco de perfume “Eternity” partido… Deixei logo de ficar zangada, é que deixo sempre a janela da casa de banho aberta porque não gosto do cheiro a “cabinet”, mas agora tenho uma casa de banho a cheirar deliciosamente a “Eternity” e até da vontade de lá ficar.
É como diz o meu mano “se há uma janela envolvida há bênção, é bíblico, viste na história da mana Lai no acampamento? “

(Mana Lai, esta versão é para ti)

Piquenique

O que mais gosto de fazer na vida, o que eu mais gosto mesmo, mesmo de fazer na vida é fazer o que me der na “Real Gana”, como diria o meu pai.

Chegamos a casa, a Princesa e eu, ela atira-se para cima do “pouf” na sala, olha pela janela e diz:
- Mãe hoje esteve um dia tão bonito não é?
- É verdade, respondi eu virando-me para ela, e parando de retirar as compras dos sacos continuei, o calorzinho gostoso começou não é?
- Sabes o que eu hoje pensei mãe? Que estava um belo dia para um piquenique.
- Ah, pois era, que belo dia de piquenique… Mas… Olha lá, e se fizéssemos um piquenique para o jantar? – Desafiei.
- Oh mãe, estás maluca?! – Perguntou incrédula a Princesa, olhando para mim, rindo com aquele olhar “não me desafies que eu aceito…”
- Sim, um piquenique! Hoje! Ao jantar! Não te parece uma boa ideia? – Aliciei eu com aquele olhar de “eu sei que tas mortinha por aceitar…”
- Oh mãe… que ideia… Bora lá!
E num pulo a minha Princesa já estava perto de mim para me ajudar a preparar as coisas para o piquenique.
Dai a uns instantes, estávamos nós, sentadas numa toalha, a fazermos um piquenique no meio da sala, e que divertido foi o nosso piquenique “indoors” com direito a sopa.
- Mãe adorei este piquenique ao jantar, estava tudo muito delicioso.
- Só faltaram mesmo as formigas não é?
- Pois é, só faltaram mesmo as formigas – concordou a Princesa rindo muito.

Isto é que o que mais gostamos na vida, fazer o que nos der na “Real Gana”… como diria o meu pai.

Tuesday, April 03, 2007

Da universidade a independente

Esta história da Universidade Independente tem dado pano para mangas, então agora com o caso do nosso primeiro Primeiro Ministro não licenciado num pais de Dr.’s… bem, o caso não podia ser mais falado. Falou-se tanto que até despertou a minha curiosidade sobre esta Universidade, vejam só!
Claro que tudo com muita conta, peso e medida, porque desde que essa malandra matou o gato… eu cá não me fio nela e tomo as minhas devidas precauções, ou seja, continuo só a ler os cabeçalhos e letras gordas dos jornais e a ler os rodapés nas noticias, porque quando começam no telejornal a falar do caso eu zás, pimbas, mudo logo para o canal Panda para ver o Verdocas.

Mas falou-se tanto que até na minha cabeça ecoava “independente”, “independente”… Ora vai dai, eu incomodava que andava com a questão, decidi ir logo ao busílis da questão. Agarrei no dicionário e fui ver
- Universidade,
e diz que é uma instituição educacional que abrange um conjunto de escolas superiores destinadas à especialização científica e profissional;
Muito bem, então isto é que é uma universidade…
E já agora vamos ver o que é
- Independente,
e diz então que não depende de outrem, é livre, adverso á tirania, com leis próprias.

Oh meus senhores, então vocês andam para ai numa roda-viva a discutir que a independente andava a dar diplomas a torto e a direito sem as pessoas frequentarem os cursos e mais não sei o quê, mas para quê? Por amor aos medronhos! Então não se estava mesmo a ver que uma universidade que orgulhosamente se intitulava de “nós por cá temos leis próprias” haveria mesmo de ter leis próprias naquilo que lhe dizia respeito? Eles bem diziam, ninguém manda em nós, nós somos independentes, não passamos cavaco a ninguém, para já criamos os cursos que nos apetecer como por exemplo “gestão e administração regional e autárquica” e depois damos os diplomas a quem bem nos apetecer como por exemplo a quem trabalhar ou tiver algum peso na administração regional e autárquica, mas ninguém queria acreditar nisso.
Mas meus senhores, então isso estava legível nas entrelinhas do próprio nome da escola, vocês é que nunca quiseram crer agora não se venham lamentar, ou como diria alguém que eu conheço
“Don’t you come now cry over split milk”.

(Já agora, e só por mera curiosidade, o que será que quer dizer “moderna”?…)

Monday, April 02, 2007

Todas as coisas contribuem para o bem daqueles que amam a Deus...

Todas as coisas contribuem para o bem daqueles que amam a Deus…

Não sei se é devido á nossa formação cristã, mas nós na minha família sempre achamos que todas as coisas que acontecem nas nossas vidas sempre contribuem para o nosso bem. Quando a vida nos atira canas para o colo, nós fazemos bagaço com elas. Mas o facto é que sempre, sempre, transformamos algo negativo em positivo.

Por exemplo, temos vivido tempos de angustia devido á doença do nosso irmão. Sobretudo porque se fazem exames e mais exames, testam fármacos e mais fármacos e até agora não há qualquer resposta positiva. E nós somos obrigadas a assistir, impotentes, à deterioração da qualidade de vida de alguém a quem nós muito amamos.

Após a última consulta, o médico informou-nos que aguarda o resultado de um exame a uma doença que queira Deus ele não sofra. Já foram feitos exames para outras doenças, todas elas negativas, e estamos confiantes que a resposta também virá negativa.

É uma doença genética que aparece entre os 30 e os 50 anos, e que só após os 21 anos se pode fazer o teste da despistagem.

Mas mesmo sem termos a certeza de que exista esta doença na família, já esta doença, mesmo hipotética, já trouxe algo de positivo na família:
As “manas” passaram a acumular anos de vida. Até agora, as “manas” só celebravam aniversários sem acumular anos, ou seja, havia festa, havia bolo mas havia sempre o mesmo número de velas. Ano após ano, as “manas” iam soprando as mesmas velas. Umas faziam “33 outra vez”, outras permaneciam nos “37”, nos “40”, nos “35”… Os filhos iam aprendendo a matemática e diziam: “mãe é impossível teres 37, quando eu nasci já tinhas 36 anos eu já tenho 10, ora, 36 mais 10 não são 37…”, e a mãe explicava, “a matemática para as mães é diferente meu querido filho”. Outros filhos diziam: “Oh mãe tu não podes fazer 33 outra vez, não se podem fazer anos “outra vez”, quantos anos é que fazes afinal?”, e as mães respondiam em amor dizendo “queridos filhos as mães podem fazer determinadas coisas que mais ninguém pode, sobretudo no que diz respeito á idade…”. Outros ainda se questionavam: “mas quem é mais velha?”, obtendo respostas claras como água, “quem estiver é ser mais chata”.
Ora, tendo as “manas” sabido que a doença é possível até aos 50 anos, só neste fim-de-semana, 3 “manas” chegaram aos 50 anos, duas já estão na casa dos 40, e ninguém duvida que nestes próximos dias elas cortem a meta dos 60 anos. (Acredita-se mesmo que algumas fiquem mais velhas que a própria mãe!)

Como na minha família as “manas” amam muito a Deus, esta doença, mesmo hipotética, mesmo sem a confirmação, já trouxe algo de positivo… anos á família e uma matemática corrigida aos filhos.

Claro, caso a doença não se comprove, as “manas” já decidiram revogar as certidões de nascimento apresentadas aos filhos, argumentando que haviam sido pressionadas pelas circunstâncias, mesmo chantageadas pela pressão do momento. E não há Juiz que não aceite este argumento.