Monday, May 29, 2006

Transportes publicos ou com publico?

Sabem porque se chamam “transportes públicos”? Não, não, não, não é porque é um transporte aberto a toda a gente é porque os transportes são palcos das maiores comédias, e por isso há actores mas também publico. Nomeadamente no barco. Querem apostar?
Senão vejam:

CENA I:

Ele aproxima-se dela, põe o braço por cima do ombro dela e diz:
- Oi, tudo bem?
Ela olha para ele com cara de espanto.
Ele: não te lembras de mim?
Ela: Não
Ele: não faz mal eu lembro-me de ti e então como estás?
Ela: Tá tudo bem e contigo?
(tive pena por não poder ficar para trás para ouvir o resto da conversa…)

CENA II:
Chega uma mulher, quarentona, passos firmes, olha em redor à procura de um lugar talvez, grandes óculos escuros pretos, cabelo pintado de tons vermelho-vermelhusco-vermelhante-vermelhão, calças de ganga, sandálias de salto alto-cunha com motivos étnicos, medida de busto 44-muito-gracioso, traz vestida uma t-shirt castanha com letras douradas a atravessarem aquele enorme busto, e estava impresso:
“You’ll better forget it, cause you’ll never get it”

Comenta um miúdo franzino sentado numa cadeira ao lado da minha para o amigo:
-Ena pá! Viste aquilo?! Ainda bem que há coletes neste barco porque aquela gaja é de afogar qualquer um…

Sunday, May 28, 2006

Oh mentalidade...

Quando é que neste país, uma mulher poderá beber à vontade sem que isso queira dizer que ela tem um letreiro a luzes de néon a dizer:
“TOU LIVRE E DISPONIVEL E À PROCURA DE CASO”.
Mas a sorte é que eu sou uma mulher muito feliz, feliz demais para me deixar levar por esses complexos de mentalidades sub-desenvolvidas e continuo a beber sozinha, nas minhas esplanadas enquanto leio e apanho um sol, é que eu acredito mais que “agua mole em pedra dura tanto bate até que fura” e pode ser que se todas as mulheres independentes, livres de estigmas e pré-conceitos se mobilizarem e começarem a viver da maneira que quiserem, a fazerem coisas que lhes dão prazer a elas e não aos outros, esta gente aprenda.

Ontem fui à praia com umas amigas, a areia estava cheia, não cabia nem mais uma toalha quanto mais três e nesses casos eu prefiro o isolamento da esplanada. Ora, elas armadas em sereias não saiam da água, mas eu, como água fria só engarrafada e num copo para depois beber, faço nesses dias a minha praia da maneira que eu mais gosto – na esplanada, a ler e a beber.

Para iniciar e como as sereias saltaram logo para a água, eu pedi uma caipirinha. O simpático do funcionário trouxe logo a caipirinha para logo a seguir começar um desfile de “abutres bronzeados de óculos escuros” a passarem em frente à minha cadeira para ver se estava “morta”
- sim porque aqueles fulanos só devem mesmo comer carne morta, duvido que alguém que tenho um “foleguezinho” de ar se deixar apanhar por "aquilo"-

Entretanto o bom e simpático funcionário passou uma vez para limpar a mesa atrás da minha, passou mais uma vez para limpar a mesa á frente da minha até que passou a terceira vez para limpar a mesa ao lado da minha e perguntou:
- Então senhora a capirinha está boa? (leiam com sotaque brasileiro)
- Sim, está obrigado. – Na realidade até não estava, estava muito doce mas se eu já desconfiava que se dissesse isso o rapazinho não parava de limpar a mesa.
- Ah, então está bem… - passou mais uma vez o pano na mesa…-Nossa hoje está mesmo calor não está não?
- Está! Graças a Deus já é verão!
- Pois, já estamos no verão… Então está tudo bem não está?
- Está sim, e olhe não se preocupe porque se eu quiser desabafar sento-me ao balcão para desabafar com o barman está bem? – Disse eu sorrindo, com um dos meus sorrisos mais simpático e sarcástico alguma vez visto no meu rosto.
Bem, não sei se o rapaz percebeu, mas o chefe dele deve ter percebido porque durante o resto da tarde não fui atendida por ele.

Friday, May 26, 2006

"Chega de Saudade" - by Caetano Veloso

Vai, minha tristeza e diz a ela
que sem ela não pode ser.
Diz-lhe numa prece que ela regresse
porque eu não posso mais sofrer.
Chega de saudade
a realidade é que sem ela não há mais paz, não há beleza
é só tristeza e melancolia que não sai de mim,
não sai de mim, não sai
Mas, se ela voltar
se ela voltar que coisa linda, que coisa louca
Pois há menos peixinhos
A nadar no mar
do que os beijinhos que eu darei na sua boca
Dentro dos meus braços
os abraços hão de ser milhões de abraços
apertado assim
colado assim
calado assim
abraços e beijinhos
e carinhos sem ter fim
que é acabar com esse negóciode você viver sem mim
Não quero mais esse negóciode você tão longe assim
vamos deixar esse negócio de você longe de mim.

- É para aprenderes a letra de cor J... para a parte B) do nosso serão.

Thursday, May 25, 2006

Luandino Vieira

O escritor Luandino Vieira, recusou receber o valor do maior prémio literário português, o Prémio Camões. O valor deste prémio é somente de €: 100.000,00, isso mesmo CEM MIL EUROS.
E o Sr. Luandino Vieira recusou.
Recusou porque vive como um franciscano. Fez voto de pobreza. Quando vai almoçar fora com os amigos os amigos já sabem que têm que pagar a conta porque o Sr. Luandino nunca tem dinheiro para pagar, porque é pobre, e como nós sabemos esta malta das “artes e letras” é de alimento refinado.
Eu estou a pensar em escrever à Senhora Ministra da Cultura e apresentar-me como eventual candidata a receber os tais cem mil Euros que o meu “xará” Vieira recusou.
E vejam que não usei o termo “xará” à toa.
Vocês só estão a pensar no apelido não é? Mas o velho Luandino e eu temos muito mais em comum além do apelido. O pais de origem? Sim. E sabem que mais?
Sabem qual outro ponto que nos une fortemente?
- É que ambos, quando vamos jantar fora, os nossos amigos têm que pagar a conta.

O velho Luandino é esperto, ele fez é mas é (como se diz lá na nossa terra) um voto de nunca pagar jantares a ninguém. É que se aceitasse o dinheiro o velhote ainda tinha que pagar uma rodada à malta toda.

Nota: Há uma velha lenda africana em que os nomes dos amigos do velho Luandino estão todos na V da agenda dele. “V” de visa.

Wednesday, May 24, 2006

Pelas mulheres vitimas de maus tratos...

Hoje era título do jornal “O Metro”:
“33 Mulheres mortas pelos maridos em 2005”
A notícia comentava o número alarmante de mulheres vítimas de maus-tratos pelos maridos, namorados, ex-companheiros e famílias. A Amnistia Internacional diz que em Portugal, destes 33 casos, 29 foram mortas por namorados e ex-companheiros. É arrepiante! A responsável pela AI alertava ainda para o aumento do número de maus-tratos psicológicos.

No mesmo jornal vinha a noticia que o julgamento de um fulano acusado de crime de homicídio qualificado, que em 2004 incendiou a namorado acabando por lhe causar a morte (crime bárbaro!) tinha sido adiado devido a um impedimento de um dos juízes.

Estamos em 2006, este crime foi cometido em 2004. Ainda não houve julgamento, o assassino continua a ser somente “acusado”. Este caso continua a ser qualificado como um crime passional. Ou seja, matou por ainda a amar, ou matou porque não aguentava a “dor de corno”, e para estes casos continua a haver uma certa “simpatia” que acaba por atenuar as penas que na realidade deveriam aplicadas.

Em 2 anos de vida a mulher que perdeu a vida às mãos deste bárbaro, poderia até já ter dado à luz uma nova vida.
Matam-se vidas, matam-se sonhos e matam-se esperanças que o sistema judicial algum dia funcione…

No dia em que o sr.ministro visitou o meu blog

Vou telefonar à minha amiga.

-Olá, tudo bem? Nem vais acreditar! Estivemos nós as duas a conversar sobre o meu blog, quem visitava, se tinha visitantes, etc e tal, e sabes quem visitou o meu blog? Não, nem vais acreditar! O Ministro do Trabalho e da Segurança Social e todo o seu séquito!

(Claro que ela nem vai acreditar mas eu vou por as provas em cima da mesa para calar as duvidas)

- Não viste as notícias? Não leste as manchetes dos jornais de hoje? As afirmações do ministro: “ temos como objectivo, até 2008, a realização de mais juntas médicas, como forma de reforçar a solidez da Segurança Social”. – Eles vão reforçar as fiscalizações e apertar o Plano Nacional de Combate à Fraude e Evasão Contributivas e Prestacionais

(Estão a ver este nome deste plano? Por isso é que os planos são tão difíceis de por em prática, ninguém se consegue lembrar dos nomes dos planos e então ficam por fazer)

Mas eu tenho a certeza que o Sr. Ministro Vieira da Silva veio visitar o blog desta outra Vieira. Não acham muita coincidência eu ter falado deste novo movimento de luta e ele a seguir ter vindo falar do “apertar o cerco” às baixas fraudulentas?
E é como dizia aquela-cujo-nome-não-se-pode-pronunciar “não há coincidências…"

Tuesday, May 23, 2006

"Porque tens um Blog?"

-Mas tu também tens um blog?
- É verdade, hoje em dia toda a gente tem um blog- respondi eu.
- Mas porque é que tens um blog?
- Pois olha, pensei em ter um peixinho dourado, mas quando cheguei já so haviam peixinhos vermelhos, ainda pensei em levar em substituição uma tartaruga, mas depois lembrei-me do trabalho que daria limpar o aquario e esses bichos no verão cheiram mal, então olha, optei pelo blog.
-E tens muitos visitantes?
- Visitantes?
-Sim, há muita gente a visitar o teu blog?
- Ah! Não, pouca gente tem o endereço.
- Então qual é o interesse em teres um blog que ninguém conhece?
- É por culpa minha, eu não dou o endereço a ninguém.
- Mas porquê? Não é para os outros lerem? Porque é que então escreves num blog?
- Mas eu não escrevo para todos lerem, escrevo para alguns e como não tenho cadernos em casa e escrever à mão da-me uma grande preguiça... resolvi usar um blog.
Ela calou-se, riu-se e calou-se mas eu agora já sei quem ela é, é a mesma pessoa que escreveu aquele anuncio com uma criança irritante que passa o tempo todo a perguntar à mãe: "ja comeste fruta hoje? Porquê? Porquê? Porquê?..."
Para ter um blog é preciso ter um motivo? Tou tramada... Não tenho... Dá para me arranjarem um motivozinho assim bem rápido? ...

Baixa médica...

Hoje a minha Princesa não teve aulas.
Chegadas à escola, mãe e filha, deram de caras com o mesmo cenário do dia de greve da função pública – escola encerrada. Só que desta vez não por haver greve mas por não haver funcionárias.
-Com tanta gente no desemprego…- lamentavam-se pais, avos e professores...
Uma das auxiliares está de baixa, a outra foi operada ontem e desde então que está de baixa, a terceira como não pode ficar sozinha com aqueles miúdos todos, e cheia de razão que está, avisou e como não lhe deram ouvidos, meteu baixa ela também,
ora pois toma lá que é para aprenderem…

Qual greve, qual manifestações, qual abaixo assinados, qual quê… a melhor maneira de luta nos dias de hoje é
– A BAIXA MEDICA!

Já estou a imaginar uma manifestação do Marques pela Avenida da Liberdade abaixo, até à Praça do Comercio (sim, porque o contrário era demasiado penoso e no fim sempre podíamos ir beber um cafezinho e comer um pastel de nata no Martinho da Arcada), todos envergando cartazes da CGTP, UDP, PCTP-MRPP, BE, PCP, UGT, MLV (esta ultima não é a sigla de nenhum partido politico mas acho que nas manifestações vai sempre muita gente sem partido politico, o que a malta gosta é mesmo das massas…) com as palavras de ordem:
- BAIXA MEDICA! BAIXA MEDICA! BAIXA MEDICA!
- OS ATESTADOS UNIDOS, JAMAIS SERÃO PUNIDOS!

E na véspera, de um Fiat Punto munido com megafone ecoaria por toda a cidade:

-Camarada, junta-te à luta! Deixa de fazer greve que ainda te cortam o dia no ordenado! Adere ao movimento! Hoje é o dia da tua baixa médica! Tu tens o direito a meter baixa! E ainda te pagam os dias que ficares em casa! Vem, vem juntar-te à luta! Grande concentração, dia 23 de Maio pelas 15h00, no Marques de Pombal, com descida até a Praça do Comercio onde estará colocado um ecran gigante para todos juntos podermos assistir aos “Morangos com Açúcar”.

Monday, May 22, 2006

Fim-de-Semana... Episódio II - Dia de domingo

Domingo. Travessia Barreiro/Lisboa. Barco das 15h10. Muitos passageiros, um atrevido, aliás muito atrevido.
Quando cheguei, como ainda faltavam 20 minutos para o barco sair fui tomar o café da ordem. O barco abriu as portas às 15h00 e lá fui entrando.
Escolho um lugar á frente com vista de rio…e enquanto me instalava confortavelmente um rapaz (o tal atrevido) vem ter comigo e diz:
-Boa tarde, desculpe…
-Sim… - disse eu.

(A partir daqui vão poder ler umas letras em itálico, que são as palavras que não disse mas que pensei)
- É daqui?
- Bem, este deve querer saber se este barco é o que vai para Lisboa, pena que agora os barcos já não se chamam mais “Évora” nem “Trás-os-Montes” senão até iria dizer que este barco vai para Évora, mas dizer que vai para “Antero de Quental”… Além do mais este nem deve saber quem foi Antero de Quental…
- Sim sou.
-Vai-me desculpar mas é que tem um ar tão distante que eu pensei que não era daqui.
- “ar distante”?? Oh por favor! Pois é, tenho ar de Marte se calhar, oh rapazinho não te deixes confundir pela cor porque eu quando me dispo sou verde.
- Desculpe?
- Sim, tens um ar distante… assim, não pareces ser daqui
- Ui! Já nos tratamos por tu e tudo! Este deve ter ligação ADSL…
-É assim, eu vi-te, tu foste beber café, eu estava mesmo atrás de ti, mas tu tavas assim com um ar… não pareces ser daqui e também eu nunca te tinha visto antes…
-Ah, afinal este é o Carlos Castro das travessias fluviais! Conhece toda a gente! Ouve lá… ganda memória oh ADSL! Como é que eu pude não reparar em ti! E tu mesmo atrás de mim!
(Eu permanecia imóvel e muda á frente desta personagem, mas acho que isso ainda lhe dava mais vontade de se explicar, porque ele devia estar a pensar: esta ainda não percebeu nada, deixa-me trocar por miúdos…)
-Sabes, eu acho mesmo que nunca te vi antes, e então tu és daonde?
-Bem, fez-me uma pergunta tenho que responder…
(respirei fundo, olhei bem nos olhos dele e disse
- Olhe desculpe, viu o que eu ia fazer?
- Ias fazer?
- Sim, ia ficar aqui a fazer mais um jogo de sudoku, em sossego, percebeu?
Ele esboçou um sorriso. E eu cada vez mais séria disse:
-Não se importa? É que realmente eu também nunca o vi antes mas torna-lo a ver não é coisa que me apeteça fazer, por isso, dá-me licença?

-Oh ADSL vê lá se és tão rápido a desamparar a loja como foste a chegar aqui.
- Ah, não quer conversar, é isso?
- Não é só conversar, é consigo mesmo, percebeu agora? – Tive que ser explícita.
Ele ainda se sentou na mesma fila, mas depois rosnou qualquer coisa e foi-se sentar noutra fila.
E eu lá fui fazendo o meu Sudoku, é que já estou no meu 1º exercício da categoria “Difícil”!

Fim-de-Semana... Episódio I de sábado

Estava eu no meu mais profundo, relaxante e revigorante sono de beleza quando um som agudo de assobia penetra no mais profundo do meu inconsciente despertando-me.

Pensei:

-Onde estou?! Quem sou?! Para onde vou?! De onde vem este som?!
Olhei à minha volta procurando um ponto de referência… mas aquele assobio persistia, cada vez mais agudo, cada vez mais real no consciente que ia tomando o lugar até ali ocupado pelo inconsciente…
Descobri o relógio ao lado da cama, agarrei-o constatando que até ele ainda dormia e verifico as horas: 07h42.

-O QUÊ?!?!?!?!? 07H42!!!!

Vi logo quem eu era, onde estava, para onde ia e de onde vinha aquele som…
Era a Tia Maria, e pelos visto só podia ser sábado… todos os sábados os rituais se repetem…e para onde é que havia de ir? Para fora da cama claro, é impossível ficar furiosa e deitada.

Tuesday, May 16, 2006

Vida ocupadissima!

Tenho os auditores cá na empresa a fazer a auditoria. Bem, isso é uma grande seca. Esses homens têm uma forte costela de traça porque só andam a atrás de papéis, e papéis e mais papéis.
Bem e é claro que quando eles andam à caça ao papel a quem é que eles perguntam? A mim! “Pois tá claro, tava-se mesmo a ver…”
Ontem um dos auditores chegou com uma lista ENORME de papeis que precisa, e eu disse que assim que tivesse um minutinho arranjava a papelada toda.
Bem estava eu agora a pintar as minhas unhas, quando vem o rapazote e me pergunta:
-Mimi, já me arranjou os papéis que eu pedi?
- Não, ainda não tive tempo - respondi eu. Mas então de repente lembrei-me que estava mesmo a pintar as unhas em frente a ele e pensei: “ups”…
Mas disse logo:
-Isto tem estado complicadíssimo! Tá a ver que só agora estou a ter um minutinho para pintar as unhas. Veja só que andava para aqui com estas unhas horrorosas e nem tinha tempo para as por mais bonitinhas…

Monday, May 15, 2006

Assim não dá! Ja bastava a mãe!

O que mais me custa na minha estadia na “Residencial Maezinha” é mesmo o não poder adormecer em paz onde eu bem entender – por “onde eu bem entender” deve-se ler - no sofá!
É a coisa mais dificil de acontecer!
Assim que ela entra na sala e me vê muito confortavelmente instalada no sofá a ver televisão, pergunta-me naquela voz de Sargento-Chefe: JÁ TE ESTAS A PREPARAR PARA DORMIR AI? O SOFÁ NÃO É PARA SE DORMIR! HA CAMAS NESTA CASA!
Ui... Faço uma corrida mental muito rapidamente aos 10 mandamentos, e salto para o mandamento “honrarás o teu pai e a tua mãe”... Porque na minha boca começa a formar-se instantaneamente a frase: “Epa! Dá para não me chatearem?! Deixem-me dormir onde eu quiser!!!
Bem, mas tudo isto já era muito mal até que ontem piorou.
Estava eu, confortavelmente instalada no meu sofazinho de eleição, a tentar ver no AXN o Dr. Mark a operar nas urgências uma situação complicadissima, quando o anestesista se engana na dose de anestesia e foi de tal modo que passaram fluidos atraves do televisor que ate eu fui anestesiada entrando num maravilhoso, profundo e relaxante sono.
Mas eis que oiço no meu sono uma vozinha doce, fragil, fininha, a chamar por mim: mãe, oh mãe, mãe... – era a voz da minha princesa que me chamava. Acordei! Ela estava ali mesmo do meu lado, na sala.
-então princesa, o que foi? Tu jáestavas a dormir...
- Pois estava mãe mas depois acordei, não te vi e vinha ver se ias para a cama
Opa que xatisse! Tava eu tao bem a dormir ali...
-Sim filha, a mãe vai já, vai já para a acaminha que a maman vai tomar um duche rapido e já vai
-ja vens mesmo? – Perguntava a minha princesa naquela voz doce e meiga, enquanto saia da sala e se dirigia para a porta do quarto
-sim princesa, a mãe vai já de seguida – dizia eu enquanto procurava uma posição mais cómoda no sofá até chegar à tal do “confortavelmente instalada”
Então a minha princesa entrou no quarto que estava às escuras e do escuro disse:
-mãe...
E assomou à porta do quarto completamente transfigurada em sargento-chefe e disse-me;
-OLHA LÁ O SOFÁ NÃO É PARA SE DORMIR! HA CAMAS NESTA CASA!

Saturday, May 13, 2006

Mas e se alguém...

“Mas e se alguém amar um anjo, corta-lhe as asas ou ganha o céu? Ajuda-me a perceber…”

No filme “A cidade dos Anjos”, um dos meus filmes preferidos, é o anjo, Nicolas Cage, quem tem que fazer essa difícil escolha. Escolhe deixar de ser anjo para poder amar como um humano.

Mas ao amar como um humano, sente também o reverso da medalha. Sente a dor da perder a pessoa amada, o desespero, a solidão. Mas essa não foi a escolha dele. Essas foram as circunstâncias. A escolha dele foi amar, ser feliz com a pessoa amada. E isso ele teve. Foi viva e intensamente feliz com a pessoa amada.

Eu acho que escolher amar vale sempre a pena… Enquanto amamos vivemos sempre no céu.

Tia Maria ou Tia Kinder

Na “Residencial Mãezinha” há uma outra hóspede. A Tia Maria, ou Tia Kinder como passará a ser conhecida.

A Tia Maria, é uma mulher que cuida muito bem de si, preocupa-se muito consigo própria. Tem um armário cheio de cremes para tudo, pés, mãos, cabelos, corpo, rosto, tudo o que se pode imaginar. Não perde uma novela! Mas enquanto vai vendo as suas novelas vai aproveitando para tratar dos pés, pintar as unhas, limpar o rosto, enfim para a Tia Maria tempo é… vaidade.

Gosto muito de ver uma mulher de 74 anos a tratar tão bem de si. Acho mesmo muita piada ouvir esta mulher dizer: “Eu arranjo um velhote quando quiser!” – Grande auto-estima! E continua: “só não arranjo porque nestas idades eles não fazem nada, só dão chatices.” – E eu parto-me a rir com isto.

O único problema da Tia Maria é que ela é surda, passa o tempo todo a assobiar (canções que só ela conhece) e acorda muito cedo. Só que vocês estão a pensar:
- Mas isso são 3 problemas.
Não, digo-vos eu. Ao fim de semana, quando eu espero dormir até mais tarde, e a Tia Maria se levanta SUPER cedo e começa a assobiar as suas melodias agudíssimas e em decibéis elevadíssimos (porque lá está, como está surda… até que ela oiça…) … passa a haver um só problema – Tia Maria ou Tia Kinder…

Friday, May 12, 2006

Manas...

Um dia ouvi alguém dizer que a blogosfera era um esgoto. Toda a gente metia para cá tudo o que ia dentro.

Sabem manas, sinto-me um desses robots que fazem os esgotos de Paris, a unica diferença entre eles e eu é que eu não tenho antenas e eles não têm umas manas tão maravilhosas como vocês.

E claro que eu quando saio deste esgoto continuo a cheirar a Gucci, não consigo imaginar o cheiro que aqueles robots terão...

A condição de mulher...

Voltei durante 2 meses para a casa da minha querida mãe e vocês nem imaginam o quão difícil me tem sido… mas o pior não é a falta de privacidade, a perda do “espaço – próprio”, porque isso lá me mentalizei dizendo para mim mesma – “Mimi é como se estivesses de férias mas só que agora tens que ir trabalhar”. O pior é mesmo escutar os comentários.

A) Fiquei a saber que devo estar muito bem, porque estou muito bonita – muito agradável ouvir isto – coitados é dos feios que mesmo que estejam felizes vão sempre parecer estar infelizes.

B) Fiquei também a saber que continuo na mesma, claro com o cabelo muito mais comprido, sempre elegante, mais magra ou mais gorda (acho que isso depende das perspectivas pessoais de cada um dos comentadores), com a mesma roupa (isso é que aquela gente tem memoria! E porque até já não vivo lá a 3 anos! – isto vem por causa do peso: “oh Mimi estás mais gorda”, diz uma, responde a outra “não, não está nada, alias até está mais magra, não te lembras que ela já tinha essas calças e como lhe ficavam mais justas?” - … Para quê falar na variação de peso e “inchaço” feminino…) – mas resumindo, continuo na mesma, até a roupa é a mesma!

C) Fiquei também a saber que… (suspense)…
Estou no limiar da idade!

Pois é, está toda a gente muito intrigada porque me perguntam: “então, vais casar de novo é?” Ou ainda, “ah, pois, vão-se mudar? Para uma casa maior? Pois… vais-te juntar é?” Ou ainda as mais poupadas nas palavras “Já tens namorado? Vives com alguém?”

- Para grande espanto geral eu vou sempre respondendo, não, não, não a todas estas e a mais algumas perguntas.

Mas após as minhas respostas negativas elas ficam ainda mais preocupadas. Eu acho que é por me amarem muito… Dizem logo: Ai Mimi não deixes passar muito tempo, olha que não vais para nova, olha que os anos passam muito depressa, olha que não vais ficar assim para sempre…Bem, de nova, bonita, magra, gorda, elegante chego num ápice a velha, decrépita, autentico pote!

- Corre Mimi, corre… corre do tempo que não perdoa…
Despacha-te na busca de homem
Agarra alguém antes que o tempo que não perdoa te agarre primeiro!

Ai esta condição de mulher…

Alguem sabe onde está o botão "OFF" nas crianças

Ontem fui com a minha filha visitar uma amiga minha que está grávida de, sensivelmente, 3 meses e que trabalha numa loja de roupa de senhora aqui nas Amoreiras.
Então, e como de hábito nestas lojas estavam lá duas funcionárias da loja, a minha amiga (a grávida) e uma colega.
Bem, chegadas lá, beijinhos, abraços, deixa lá ver essa barriga, vês Rebeca como ela ta barriguda, será rapaz será rapariga, quantas semanas, e todas essas conversas normais nestas ocasiões, quando a boa da minha filha diz:
- Olha para mim não pareces nada estar grávida.
- Mas oh Rebeca, claro que estou! Então não vês a minha barriga? Olha lá como está grande - e a minha amiga ia abrindo o casaco, levantado a blusa, tudo para mostrar a pequena protuberância e convencer a quem ainda restavam duvidas do seu estado pré - natal.
Mas a pequena Rebeca permanecia firme na sua apreciação:
- Mas para mim, digo-te eu, não pareces nada estar grávida, parece-me só a mim que estás um bocado mais gorda e com uma barriga um bocado maior, mas isso para mim não é grávida.
-Mas oh Rebequinha olha lá bem para mim, então isto não te parece que está muito grande para a barriga da São?
-Não, quer dizer, sim para a tua barriga está, mas podias também estar um bocado mais gorda - e foi aí quando ela lançou a BOMBA
- Olha lá para a tua colega, não me parece que esteja grávida e tem uma barriga tão grande como a tua.
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Eu juro que procurei um buraco para me meter porque...enfim, podem bem imaginar como me senti...
Á noite enquanto lhe vestia o pijama procurei mais uma vez onde estaria o botão "OFF" naquela miúda mas não encontrei. Se alguém souber por favor diga-me com urgência, estou sempre contactável no meu telemóvel para esse tipo de urgências.