Friday, November 24, 2006

"Amo-te"... disse ele

Entre gemidos de prazer ele murmurava “ amo-te, amo-te tanto…”, “não precisas de dizer isso”, tentava ela contrariar o momento mas era em vão, ele teimava “mas é verdade, eu amo-te, ai como eu te amo…”
No dia seguinte, ele não telefonou… “Para que raio disse ele aquilo?”… ela nem queria acreditar, estava tão desiludida…

Mas atenção a desilusão dela não vinha do facto de ter acreditado nos “amo-te” dele, mas caramba, ele pensava mesmo que era preciso dizer aquele disparate por estarem ali a terem sexo? Ela sabia que ele não a amava.
- Homens, as mulheres sabem quando vocês não amam, escusam de estar a dizer esses disparates.
Há diversos “campos” a atravessar ate chegarmos ao “campo do amor”, nós sabemos isso, não precisam de inventar que já lá estão quando ainda não estão que nós percebemos essas coisas muito bem, porque meus queridos quando vocês vão cortar a cana já nós estamos de volta com o açúcar.
Além do mais há uma outra coisa que os homens se esquecem, as mulheres nunca precisaram que os homens dissessem “amo-te” para elas irem para a cama com eles. Nunca foi preciso! No tempo das nossas avós, elas já iam para a cama com os maridos sem que eles as amassem!
- Homens, dah!... Isto e um legado feminino emocional e socio-cultural…

Esta historia do “amo-te” na hora do sexo deve ser uma coisa muito recente. Aposto que é um produto “made in Hollywood” ou “made in Cosmopolitan”. Deve ter sido inventado por estes homens cheios de sentimentos que aparecem hoje em dia, estão a ver quais são? Estes “sofro como uma mulher”, “amo como uma mulher”, “eu choro como uma mulher”, então vamos lá ver bem as coisas, estes tipos são homens ou mulheres? Devem ser de uma variante da metrosexualidade, fazem tudo como uma mulher mas acreditam que continuam a ser muito homens.

… Ela estava tão desiludida. Ela tinha-lhe dito que ele não precisava estar a dizer aquilo, ela sabia que aquilo não era amor, eles estavam encantados um com o outro e isso ele nem precisou de dizer, ela viu durante o jantar, viu no brilho dos olhos dele quando ela chegou, sentiu no vibrar da voz dele ao telefone, carambas porque é que ele tinha estragado tudo ao dizer aquilo! Mas como ele não tinha telefonado ela tinha que tomar uma decisão, tinha que mostrar que ele já não tinha qualquer hipótese com ela porque ela estava desiludida com a falta de carácter dele… bem, o verdadeiro motivo era mesmo a falta de imaginação e inteligência que ele demonstrou ao ter soltado aqueles “amo-te” mas para ela, um tipo pouco inteligente era o mesmo que não ter carácter.
Acabava-se ali o que poderia ter sido uma bela história, e nem precisava de ser de amor…

Monday, November 20, 2006

Tu completas-me...

Estava a ver no programa da Oprah um caso de um homem que casou e ficou noivo com um total de 8 (oito!!!!) mulheres. Algumas delas ao mesmo tempo. Ao fim de poucas semanas de namoro estas mulheres estavam a aceitar os pedidos de casamento. Ele aparecia como o “Príncipe encantado” e dizia-lhes uma frase (a todas elas) que as deixavam de “quatro”, e a frase magica era:
- Tu completas-me…
Eu estou mesmo a ver a cena, ele vestido com o seu uniforme de piloto ou de oficial da marinha, consoante as historias, de joelhos, com um belíssimo anel de noivado na mão e a dizer:
- Tu completas-me…
Ate eu, só de pensar, quase que me apaixono por ele! Confessem, é quase impossível resistir a isto. Os nossos pedidos de noivado não foram assim tão românticos e nós caímos de “quatro” imaginem se tivessem sido assim! Antes mesmo de eles acabarem de fazer o pedido nó já estaríamos a dizer: SIM! SIM! SIM!
Realmente a frase “Tu completas-me” é que fecha com chave de ouro. Esta é uma das frases do tal livro “as palavras que nunca ouvirei” não é meninas?
Bem na realidade não faz mal nenhum se nós nunca ouvirmos esta frase, porque na realidade, nós estamos completas, não precisamos de ninguém para nos completar.
A minha mana Lai um dia disse-me qualquer coisa como isto: a cara-metade não existe, porque a tua cara já esta completa!
E não é que a minha irmã tinha razão? Vi-me ao espelho, e a minha cara está completa! Eu tenho as duas metades da cara e qualquer outra cara que vier será uma cara aparte e espero que também tenha as duas metades senão vai ser assim um bocado estranho… vou logo pensar que e um ser alienígena vindo da “V batalha final”.
“Mas Mimi estas a aparvalhar? Sabes perfeitamente que isso da cara-metade não é uma linguagem física” – deve estar alguém a pensar no momento em que estiver a ler isto. Pois, mas mesmo “não fisicamente”, emocionalmente, ou como lhe quiserem chamar, a minha cara esta completa, não preciso da cara emocional (chamemos-lhe assim) de ninguém.
Já imaginaram isto?
Façam um desenho da vossa cara emocional, vamos lá começar. A boca, os olhos, o nariz (não deixem nada de fora, ate podem fazer um sinal como o da Madonna que viaja de um lado para outro nas fotos). Os gostos, as frustrações, os medos, as ansiedades, os desejos, o que abominam, o que é “ponto fundamental”, tudinho.
Vejam agora o vosso desenho. Esta completo não está? Sabem uma coisa, cada ser é único e individual por isso temos a história do ADN, mesmo emocionalmente eu tenho um ADN. Posso corresponder a alguns padrões, mas sou um ser único porque o meu passado criou o mapa emocional daquilo que sou hoje. Nunca ouviram dizer que não há duas pessoas iguais? Isto é para tudo. Já se esqueciam disso não e? Eu também até que a minha querida mana me lembrou. Por isso, se outra pessoa fizer um desenho da sua própria cara e juntar à minha, lamento, mas não se vai completar porque a minha cara não é um puzzle, o meu ADN é único. Vamos no mínimo criar um Frankenstein.
Disse a psicóloga de serviço ao programa que as tais 8 mulheres acreditaram no tal “tu completas-me” porque tinham uma baixa auto-estima.
Então vamos lá ver, quem acredita no “tu completas-me” e na “cara-metade” tem uma baixa auto-estima… bem, se soubermos que se juntarmos a nossa cara a outra metade não vamos conseguir fazer um puzzle mas sim um Frankenstein… bem, mesmo com uma auto-estima na cave -5 tenho a certeza que não vamos querer isso para nós… vamos logo dizer e com toda a segurança:
- Tou fora!!!!
Pensem nisso quando estiverem quase a acreditar na história da “cara-metade”…

As vozes da Princesa

A minha Princesa esta numa época em que é uma replica daquilo que eu fui aos 7 anos. Acho lindo! Outro dia chegou ao pé de mim e disse,
- Mãe estamos a ensaiar na lá escola para a festa de natal e eu pensei que podíamos cantar a vozes o que achas?
- Acho muito bem, vai ficar lindo, respondi eu enquanto arrumava as compras.
- Pois é mãe, e o que achas das vozes que eu sei fazer…
E começou a cantar uma musica mas sempre na mesma voz, a única coisa que ela mudava era o volume da voz. Eu fartei-me de rir, lembrei-me do dia em que, com a mesma idade, juntamente com o meu irmão peguei no hinario da igreja e fomos ter com a mana Cinda, todos contentes, a dizer: mana, já sabemos cantar este hino a vozes o que achas?
E lá começamos nós a cantar todos animados, ate que ela nos interrompe: esganiçado é voz? Vocês não estão a cantar a vozes, um esta a esganiçar e outro baixo mas em volume.
Mas nós não levamos nada a sério a opinião da mana, ela achava que nos éramos dois miúdos parvos por isso nem valia a pena leva-la a sério, por isso, fomos para o nosso quarto (cheios de moral!) ensaiar outros hinos a vozes.
Ao ouvir a minha filha a fazer o que eu já fiz, lembrei-me que a reacção dela poderia ser a mesma por isso disse: filha tu cantas mesmo bem! E incrível as vozes que uma menina de 7 anos já consegue fazer! Tu és fantástica!
Ela numa falsa modéstia respondeu: oh mãe, não sou nada, só tento dar o meu melhor… – e lá foi ela cantar para o seu quarto…

Mais vale um na mão...

Mais vale um na mão do que não ter nenhum.

Estava a falar com uma amiga que está apaixonada, por isso tudo podemos perdoar, mas dizia ela “não podes querer ficar sozinha, não há nada melhor do que amar”
“Mas eu amo! Amo muitas coisas, amo muita gente, eu amo muito e intensamente”?- contestei eu,
“Sim, mas tens que amar um homem, não há nada melhor do que o amor de um homem”.
Bem, eu não tenho nada contra os homens, muito pelo contrário, até dou graças a Deus pelos homens. Eu já expliquei que ela esta apaixonada e acrescento agora que também esta no início do namoro, o eleito é um encanto, blablabla, mas há aqui uma parte de mim que não consegue ficar tranquila ao ouvir isto porque não deve ser o “amor de um homem” tem que ser o amor do homem certo.
Claro que isto de homem certo… mas falemos dele, do homem certo.
Mas primeiro, homem certo mas certo em quê? Como e que eu posso querer ter o homem certo se eu nem sei para o que é que ele tem que ser certo?
Não acham? Para podermos dizer que uma coisa é útil temos que perceber a utilidade dela, certo?
Primeiro preciso de me conhecer muito bem, preciso de fazer leituras muito atentas sobre mim mesma, sobre o meu comportamento, as minhas reacções, as minhas emoções, as minhas necessidades, os meus objectivos, o que eu realmente procuro, busco, anseio, o que para mim é detalhe e o que para mim é importante. Tenho que perceber também as minhas necessidades, tenho que perceber uma série de coisas sobre mim.
Claro que isto vai doer. Já tentaram levantarem-se da cama e irem imediatamente para frente do espelho? E horrível não é? Eu sei o que é porque eu tento sempre nunca fazer isso, mas agora imaginem, acabadinhas de acordar e colocarem-se nuas em frente ao espelho, com muita boa luz, muito perto do espelho, para poderem ver tudo… piorou… mas vai ser assim quando fizermos a leitura sobre nos mesmas… vai doer…sem anestesia…
Mas sabem no final vai valer a pena, porque vão poder perceber para quê que o tal homem seria o certo, ok, eu confesso que estou a pôr o “homem certo” como uma cenoura em frente ao nariz, mas se ainda não tiveres percebido de que vale a pena fazeres isso por ti arranja a desculpa que é por ele, porque além do mais, por eles nós estamos sempre prontas a fazer tudo e esquecemo-nos de quanto importantes nos somos para as escolhas deles. Pensem, se eu não existir como é que o tal homem certo se pode interessar por mim? Eu tenho que me dar a conhecer, mas preciso de dar a conhecer o que realmente eu sou e não o que ele quer ou e porque isso já ele tem.
Lema 1: EU PRECISO DE EXISTIR.
E importante que nos conheçamos para nos podermos apresentar a alguém. Já viram alguém chegar ao pé de outra pessoa e dizer: olá eu sou… ups não sei quem sou, não sei o meu nome… - no mínimo um pouco amnésico não? Isto para não dizer mesmo estúpido, ninguém faz isto. Claro que fazemos, todos os dias, todas as vezes que iniciamos uma relação com um homem sem sabermos quem somos estamos a fazer isso.
Precisamos de existir… então nos vamos continuar a conhecer muitos homens, uns interessantes outros menos, mas vai aparecer um que nos vai despertar a atenção e então vamos fazer o mesmo exercício com eles. Claro que não vamos ficar a espera que eles se abram connosco porque como já sabemos “os homens são ostras”. Mas se estamos apaixonadas é um dos sintomas da “paixonite” são as escamas que nos nascem sobre os olhos impedindo-nos de ver as coisas com clareza, sobretudo no que diz respeito a “eles” como é que vamos perceber algo sobre eles? Bem, eu também não disse que isto era fácil mas digo que vale a pena, oiçam as opiniões dos outros. Oiçam. Eu disse para ouvirem não quer dizer que tenham que seguir os conselhos dos outros, mas se conseguirmos ouvir já é muito bom porque mais cedo ou mais tarde “a ficha vai cair”. Quando estiverem juntos reunidos com outras pessoas, “despreguem” a vossa mão da
dele e usem-na para levantem as escamas dos vossos olhos e vejam como e que ele “funciona” com as outras pessoas, isso diz-nos muito sobre a pessoa…e conversem muito, muito, muito … bem sei que as conversas são muitas vezes substituídas por “coisas mais úteis”, como dizia um amigo meu mas eu digo a mesma coisa que disse ao meu amigo, meu querido como é que queres saber como e quando ela gosta das tais “coisas mais úteis” se não conversares sobre isso? Todos os temas são bons para a conversa, porque queridas, e isto digo-vos eu agora, se ele for o tal homem certo vocês vão passar muitos anos juntos e quando forem velhos só vai restar uma das coisas –a conversa- tudo o resto vai acabar… (e pensar que isto começou com uma conversa de alguém apaixonado…)
Claro que este homem pelo qual se interessaram tem “defeitos” (todos temos, até eu… eu sei que os meus não são muitos nem visíveis a não ser ao microscópio mas eu sou a primeira a dizer que tenho defeitos), mas pronto não vamos chamar defeitos, vamos mudar a palavra, vamos dizer, características. Umas que nos irritam muito outras que nós ate aguentamos bem. Mas nos, que já nos conhecemos, vamos agora perceber uma coisa, será que essa característica dele que tanto me irrita e um ponto fundamental para mim?
Imaginem que tem um namorado que gasta muito. Será que vocês conseguem viver com isso ou vocês fazem questão de ter ao vosso lado um homem que seja poupado e que não ande para ai a fazer compras como se fosse Paris Hilton? Eu vou dar um exemplo pessoal, eu tenho um problema, não sei fazer telefonemas curtos, e já tive um namorado que fazia telefonemas de 30 segundos! Isto para mim não da nem para dizer “olá”!!!! Uma das chamadas mais longas que fez foi comigo, um dia perdeu a cabeça e ficou 30 minutos ao telefone comigo, eu não me calei para ai durante um mês que andei a gritar: converti-o! Converti-o!
Claro que essa característica era um detalhe fácil de suportar, mas existem tantas outras, sei lá, fumar, beber, não beber, ser ateu, ser religioso, jogar, não conversar, chegar atrasado ou o contrario viver debaixo do regime militar do relógio, ser workholic ou não ter trabalho, tantas coisas… mas todas essas características tem que ser analisadas por nós: “será que eu consigo viver com essa característica?”. E atenção, não e uma coisa de dias, e mesmo para a vida porque se ele for o homem certo vamos ficar com ele para o resto das nossas vidas não é assim?
A minha amiga estava enganada, nós não precisamos do amor de um homem, nos só precisamos do amor do homem que realmente nos estivermos a precisar para passar a ser um tal homem certo, e esse homem tem que nos merecer, temos que passar a ser exigentes nesta matéria não vamos aceitar a mentira social que nos e imposta desde a séculos que uma mulher só é feliz se tiver um homem do seu lado. Milhares de mulheres viveram infelizes durante toda a vida porque esta mentira lhes foi imposta de geração em geração.
Lema 2: ISTO E MENTIRA.
Eu não quero passar para a minha filha essa herança social do “mais vale ter um na mão do que não ter nenhum”, não, mais vale não ter nenhum do que ter um que não me respeita, que me maltrata, que me mente, me engana, que me bate, me viola, que não trabalha, que tem vícios, porque este homem não me ama. A bíblia diz que a maior prova de amor veio de Deus que aceitou a morte por nos porque nos amava mas esses homens estão a fazer o contrario como e que pudemos aceitar isso como “amor”?
Mas lembremo-nos de que primeiro precisamos de nos conhecer e vamos poder apreciar a beleza de mulheres que somos e como e tão bom estarmos na nossa própria companhia.
E vão ver que até vamos ter tempo para podermos alterar alguma “característica” em nós que não gostamos sem ter que recorrer a cirurgia plástica.

Desenhos que carregamos na mochila

Num destes dias vi um desenho animado com a minha filha que considero um dos melhores desenhos animados que já vi. Não pelas imagens, porque disso não percebo nada mas com uma belíssima historia.
Era a história de um pequenino ser que nascia com umas asas, uma palete para pintar e um instrumento musical, mas todas as vezes que tentava usar uma destas “capacidades” com as quais tinha nascido usava mal, não conseguia voar, tentou desenhar uma flor mas saiu um desenho muito mau, e então ele nem ousou usar o instrumento musical, deitou-o fora porque já tinha visto que não tinha jeito para nada, por isso nem tentou para não fazer mais figuras tristes.
Isto porque das vezes em que ele tentou usar uma das suas capacidades e não conseguiu os outros seres da aldeia dele gozavam, criticavam as suas escolhas, diziam que ele não era capaz e para que ele sempre se pudesse recordar destes episódios faziam um desenho daquele momento triste da sua vida e colocavam-no na mochila que ele trazia as costas, ficando para ele cada vez mais difícil viver, porque a mochila era muito pesada e ele nem conseguia caminhar.
Ate que sobe a uma montanha muito alta, e lá encontra o criador da aldeia e dos seus habitantes que lhe explica que ele não é nenhum daqueles desenhos, aquilo são opiniões dos outros e faz para ele um desenho de como ele verdadeiramente é não como os outros o vêem, e que alem do mais, o facto de ele carregar aqueles desenhos faz com que a mochila fique muito pesada impedindo-o de voar e ate mesmo de andar, por isso ele já rebolava! Percebendo isso, ele repara que as suas asas ainda estão lá e que quando tentou voar a primeira vez as asas ainda eram muito pequeninas dai o fracasso, ele lança fora todos os desenhos e tenta voar e… consegue!
Eu fiquei a pensar que qualquer um de nos pode ser aquele ser. Cada um de nos tem determinadas capacidades mas porque simplesmente quando as tentamos usar as coisas não correram bem e alguém nos criticou e condenou por isso nos achamos que isso era mesmo para toda a vida e passamo-nos a ver não com os nossos olhos mas com os olhos dos outros. E o que vêem os outros? Pessoas incapazes. Incapazes de serem felizes, incapazes de terem boas notam, incapazes de serem bonitas, incapazes de terem opiniões próprias, incapazes de tomarem decisões, incapazes de trabalhar, incapazes de estudar, incapazes de serem boas mães ou bons pais, incapazes de serem bons maridos e mulheres, incapazes de serem bons filhos… pessoas incapazes. Opostos de Midas.
E desse modo vivemos uma vida como se vivêssemos 24h/dia dentro da casa de espelhos da feira popular. Mas na realidade nos não somos assim, são os espelhos (os olhos dos outros) que nos fazem crer que somos assim, deformados.
Experimentem sair de dentro dessa casa de espelhos, lembrem-se que os desenhos que os outros fizeram de vocês não determinam quem vocês são, nem sequer determinam a vossa capacidade para “voltarem a voar”. O vosso voo pode ter falhado por as vossas asas serem ainda pequenas. Pensem nisso.
Nos nascemos com determinadas capacidades, nos tivemos sonhos, e mesmo que tenhamos tentado voar 10 vezes e não conseguimos, que se lixe! Não vamos pensar que somos incapazes de voar. A única coisa errada foi termos guardados os desenhos que os outros fizeram sobre nós, falhar na tentativa de voar não nos deve impedir de perseguir esse sonho ou usar essa capacidade.
Vamos sacudir as nossas mochilas e vamos só guardar lá dentro a nossa palete de cores, para retratarmos o mundo e o nosso instrumento musical para fazermos da vida uma festa e ai então vamos conseguir voar, voar, muito alto e realizarmos os nossos sonhos.

Mitos Urbanos

Já receberam aqueles e-mails em que alguém que conhece alguém jura a pés juntos que o filho de alguém conhecido entrou numa loja de chineses e nunca mais o encontravam ate que chamaram a policia e lá descobriram a criança no armazém da loja com o corpo todo como se fosse para uma sessão de acupunctura mas afinal era para lhe arrancarem os órgãos ali mesmo?

Bem, isto é um mito urbano. Todos nós sabemos, mas continuamos a acreditar em mitos urbanos. Outro dia estava a falar com o meu irmão sobre isto de mitos urbanos, por isso vamos lá desmistificar esta história do mito urbano.
Vamos começar pelo da historia acima mencionada.
1. Os pais não encontravam a criança dentro da loja do chinês. Será que procuraram bem no meio daqueles prateleiras atafulhadas de inutilidades domésticas?
2. Acabaram por encontrar a criança no armazém da loja? Conhecem alguma loja de chineses que tenha armazém? Eles até as caves usam para fazer expositor de mercadorias! Todos nos sabemos como funcionam os armazéns das lojas dos chineses, aquilo é um para todos e todos para um só armazém. Por isso armazém nas traseiras da loja? Bem que historiazinha mal contada…
3. Mas se vamos entrar no domínio das histórias mal contadas… chamaram a policia e eles actuaram? Ok, não vou nem falar disto…
4. Depois, por fim, descobrem a criança já com o corpo todo desenhado, estão a ver tal como aqueles desenhos dos livros sobre o corpo humano. Pronto, sim, suponhamos que ate lá na loja tinham uns desses livros e o fulano da loja tivesse muito jeito para desenho. Peguemos então no exemplo do rim. O fulano agarrava na criança, comparava com o desenho do livro e dizia qualquer coisa parecido com isto: “o rim é aqui nesta zona, vamos lá a despachar” – mas é aqui mesmo que a nossa história deixa de ser verosímil. O “Lautrec made in china” teria que pedir materiais: “passa-me aí uma faca que corte bem” – ora, uma faca que corte bem numa loja do chinês? Ok… E mais fácil encontrar um polícia que ao ser chamado queira actuar…
Mas isto não fica aqui, porque além da faca o “Lautrec” ia encontrar outro enorme berbicacho. Onde e que eles iam guardar o rim depois de o retirarem do corpo da criança? Todos nos já vimos o episódio do “serviço de urgências” em que eles aparecem de helicóptero cheios de pressa para um transplante, ora pois muito bem, e onde e que eles levam o órgão? Numa mala térmica. Mas verdadeiras malas térmicas, não aquelas malas térmicas das lojas dos chineses que nem uma garrafa de água conseguem manter fresca numa tarde de Abril ate a praia de Carcavelos!
Bem vamos lá rever os pés de barro deste mito:
- Armazém numa loja de chineses? Policias que actuam? Lautrecs de Pequim? E o pior, facas que cortam como bisturis e malas térmicas que mantêm o frio?
Bem nunca acreditem nestas histórias, isto são mitos urbanos. Esta certo, ate podiam encontrar uma loja com armazém, um policia muito consciente do exercício e dever das suas funções, um fulano com muito jeito para o desenho mas por amor de Deus, uma faca que corte mesmo e uma mala térmica que mantenha mesmo o fresco!!! Não, isso de haver coisas boas nas lojas dos chineses e um mito urbano (mais outro…)