Esta noite sonhei com o Nuno Artur Silva
Esta noite sonhei com o Nuno Artur Silva.
Imaginem, podendo sonhar com tantos homens, lindos, sensuais, bonzudos como o milho… não, fui mesmo sonhar com o Nuno Artur Silva. E para piorar a coisa ele trazia vestido, aquela coisa horrorosa daquele verde pavoroso com que outro dia moderou o programa dele, “o eixo do mal”. Claro que por estes indícios vocês já estão mesmo a ver que não foi nenhum sonho erótico…
Pois não, não foi não. Mas foi um sonho muito divertido. Imaginem que lá para o fim do meu sonho o Nuno Artur Silva se pôs a fazer psicanálise comportamental de esplanada, o meu tipo de psicanálise preferida e que eu também gosto tanto de praticar (pois, é que para eu sonhar com ele tínhamos que ter alguma coisa em comum, porque já sabemos que não poderia ser aquela peça de roupa verde-pavor que ele trazia vestido…) e usou a palavra “esgravatar” (!)
Bem, mas então o meu sonho foi assim… Não sei como encontrei o Nuno Artur Silva, nem como o conheci, mas ás tantas estava eu a conversar com ele e a dizer:
- "Sabe, se não fosse a sua presença, com o seu humor, esse programa seria um daqueles programas chatos, de comentadores chatos que engolem os moderadores. Mas não, o seu programa tem aquela pinta de você, o anfitrião, ter convidado os seus amigos para irem lá jantar a casa e entretanto vão falando sobre uma série de assuntos."
E ele ri-se e diz:
- "Ai é? Olhe, antes de mais obrigado por achar que eu estou bem nesse papel de “anfitrião”. Mas e o que acha dos meus amigos convidados?"
(Para quem não leu a primeira frase deste “post” já percebeu que eu só poderia estar mesmo a sonhar, porque o Nuno Artur Silva a querer saber a minha opinião sobre os amigos convidados dele… enfim…)
E claro que eu, quem me conhece sabe muito bem que a minha reacção seria mesmo esta, começo a dizer o que eu penso MESMO sobre os amigos convidados dele. E então começo:
- "Bem, o Judice, ele é muito amargurado… para já tem aquele aspecto de doente, e aquilo lá por dentro deve estar cheio de “raízes de amargura”… (lá estava eu no meu sonho a abrir precedentes para a tal “psicanálise comportamental de esplanada” que encontraremos a seguir…)
E o Nuno Artur Silva ia rindo ás gargalhadas dos meus comentários e apreciações…
- "O Daniel, o tipo é mesmo esquerdista! É incrível! Mas como vive muito os problemas dos pobres, da sociedade, tem o sentido de humor necessário para se levar isto sem ficar maluco… O tipo do Inimigo Publico é a prova de que a nossa televisão está mais virada para o modelo inglês do que para o modelo americano, em que os feios e gagos podem fazer televisão…"
E o Nuno Artur Silva continuava a rir ás gargalhadas dos meus comentários e apreciações… e pergunta-me:
- "E da Clara? O que achas da Clara?"
- "Bem, a Clara Ferreira Alves tem aquela atitude do… que aliás é humana, do “só sei que nada sei… mas que eu até sei!”
E ai, ele, “escangalha-se” a rir ás gargalhadas e diz: “Não achas que alguém que tem esse tipo de atitude é um bocado presunçosa?”
- “Não”, respondi eu, “eu no lugar dela, se tivesse tanto conhecimento como ela teria a mesma atitude, é humano, quando nós temos o conhecimento, sabemos, podemos é colocar antes o “só sei que nada sei” porque até fica bem, mas não aceitamos que nos digam coisas porque nós já sabemos.”
- “Então ela tem uma atitude à Marcelo?”
- “Não, são atitudes diferentes, a Clara Ferreira Alves tem a atitude do “só sei que nada sei… mas eu até sei!”, a do Marcelo é mais a do “estudei para este teste, agora faz-me lá as perguntas para veres como eu estou á vontade nesta matéria”, e a gratificação vem-nos da cara do inquiridor que ao ouvir a nossa resposta pensa lá para os seus botões “Carambas! Sabe mesmo!”, percebes a diferença?”
- “Sim, percebo” – respondia o Nuno Artur Silva sempre a rir às gargalhadas…
(Acho que as gargalhadas do Nuno Artur Silva foi o que mais me marcou neste sonho, o tipo ria-se mesmo a bom rir)
Bem, ás tantas no sonho, e porque os sonhos não têm lógica (pelo menos os meus), o Nuno Artur Silva, já sem gargalhadas, começa então a fazer a tal já falada “psicanálise comportamental de esplanada” e começa a dizer-me:
- “Mas tu não tens dúvidas, não perguntas, não queres saber mais para não te envolveres, então tu não queres nem esgravatar (lá está a palavra) a superfície. É uma maneira de te defenderes e evitares o aprofundar…”
- “Pois, se calhar, não sei, nem estou para ai virada, para perceber o porquê das coisas…”
- “Manténs a caixa fechada, intacta…”
- “Mas olha, já que mantenho a caixa fechada, já que se apercebem que eu mantenho a caixa intacta a única coisa que agradeço é que não finjam que a abriram e me venham com mentiras… é que para me mentirem têm quer ter um esquema muito bem montado, muito bem organizado, não podem preparar em cima do joelho, senão eu apanho ao dobrar da esquina e aí é que me chateio… as pessoas têm a oportunidade de não me mentirem porque eu não pergunto, por isso não me venham com justificações e histórias para coisas para as quais eu mantenho intactas dentro da caixa, não achas?”
E entretanto acordei… que chatisse… e lá ficou a conversa a meio com o Nuno Artur Silva… Mas também não quero saber do resto, porque se o Nuno Artur Silva aparece outra vez nos meus sonhos com aquela coisa verde-pavor vestida a primeira coisa que mando fazer, e mesmo a sonhar é:
- Opa, Nuno, dá para mudares de roupa? É que desculpa lá, mesmo no sonho, sem ter o cenário por detrás esse verde é mesmo feio e não te fica nada nem…

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