Wednesday, March 28, 2007

Saltos altos...(versão não Almodovar)

Hoje decide vir trabalhar de saltos altos, pode ser pouco estranho para uns mas para outros nem tanto, isto de se andar de saltos altos.
Nós já sabemos, logo pela manhã, ao calçarmos a 1ª bota, que hoje a nossa dor será de 7x7, não, não tem qualquer conotação bíblica, nem tem nada de perfeito, é mesmo cada centímetro de salto vezes cada hora de trabalho. Mas mesmo assim, as mulheres são este bicho estranho que suportam a dor mesmo quando não precisam dela. Aprendemos com as dores menstruais e depois é só ir por ai fora: dores de namorados, dores menstruais, dores nos pés, dores de maridos, dores menstruais, dores de pés, dores de partos, dores menstruais, dores de pés, dores de filhos, dores menstruais…
Mas até uma mulher como eu, que decidiu evitar a dor e sofrimento desnecessário, de vez em quando tem uma recaída e após uns bons pares de meses de sobriedade hoje tive uma recaída. Ainda agora começou o meu dia e já quase que me arrependo. Para começar levei 20 minutos a fazer um trajecto que faço em 10 minutos. Ou seja, sai de casa as 9h20 e cheguei atrasada, só cheguei ao escritório ás 9h40!
(Boss, desculpe, mas a culpa é dos saltos altos)
A minha vontade é de responder ao impulso imediato do “vou-me descalçar”, além do mais até estou sozinha aqui no escritório podia fazer isso… Mas não, vou vencer a vontade de me descalçar, vou permanecer calçada, com dores nos pés, mas firme á minha costela feminina. (Masoquista)
Assim que sai de casa deparei-me com um chão em calçada portuguesa, ou seja, gasta e suja, cheia de espaços entre cada pedra com tamanho suficiente para enterrar o salto da minha bota e ter que fazer aquele movimento acrobático de pés que é o de tirar o salto da bota sem tirar a capa.
E o primeiro pensamento que nos vem á cabeça é: Carmona, esquece o circo Domingos Névoa & Parque Mayer, esquece o Sá Fernandes, esquece as investigações da PJ, porque ainda não viste nada! Eu juro que te envio a conta do conserto do sapateiro se não mandas consertar esta calçada!
Foi então que me lembrei do conselho da minha querida amiga Sara, num belo sábado de sol, entre uma garfada de rucola e parmesão e num dia em que este quadro me parecia tão distante: “tens que olhar bem para onde pões os pés, tens que olhar para o chão e calcular em que pedra vais por o pé para evitares os intervalos entre elas”
(Obrigado Sarita)
E assim fiz, vim durante todo o caminho a calcular as distâncias, os passos, tudo milimetricamente, não admira pois que tenha levado 20 minutos!
Mas enquanto eu ia calcorreando milimetricamente a calçada lisboeta ia sendo ultrapassada por outras mulheres, elas também de saltos altos, e elas faziam o mesmo trajecto que eu mas com uma destreza tal que eu passei a ser fã delas.
(Pareciam umas gazelas!)
Elas pareciam o Cristiano Ronaldo a fintar os intervalos entre as pedras. Elas seguiam, caminhando seguríssimas em cima dos seus saltos altos, e eu pensava:
- Mimi, também já foste assim… lembras-te? Pois é… o tempo passa, tudo na vida são hábitos… tudo na vida se resume a “músculos” e a exercitá-los. Quando tu exercitavas o músculo do salto alto ele estava assim como o dessas mulheres, hirto e firme, deixaste de praticar saltos altos olha, deu no que deu…

Além do “pneu” abdominal, reparei que também tenho mais dois “pneus”, o do salto alto e o das dores nos pés, sim porque suportar a dor também é um músculo. E meu, está mesmo muito em baixo.

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