Wednesday, August 30, 2006

Hoje fui à cabeleireira...

Hoje fui à cabeleireira, não à minha cabeleireira habitual porque ela está de férias, fui a outra aqui perto das Amoreiras.
Um salão novo, todo giro.
A proprietária é uma menina nova, muito gira a combinar com o salão, muito sorridente para a nova cliente o que me fez logo simpatizar com ela.
A empregada é também nova, se calhar até mais nova do que eu, mas com pinta de que “já cá ando nisto faz tempo…”, ora eu comecei a fazer as contas, acabou o 9º ano com 16 anos, mais 3 anos de curso técnico-profissional do centro de emprego, 19 anos, sim, já deve ter pelo menos uns 10 anos experiência profissional, isto sem contar com o tempo em que esteve parada a seguir ao nascimentos dos filhos, porque aquilo cheirou-me a ter 2 filhos…
Mas a minha história passou-se com a empregada, sim, porque é ela quem lava as cabeças e seca o cabelo. E foi aí que tudo começou…
- Que champôo usa? Algum em particular?
- Sim, pode usar um para cabelos pintados.
- Pois, era o que me estava a parecer porque a senhora tem o cabelo pintado.
Bem, pelo tamanho das minhas raízes e pelas pinceladas de cores diferentes que o cabelo tem, se isto não fosse pintado eu era um camaleão.
- E o melhor é pormos um creme neste cabelo não é?
- Sim, sim, ponha creme.
- Um bem forte o que lhe parece?
- Sim, use um bom, que hidrate bem.
- Pois, estava mesmo a pensar nisso
Devo avisar que nem quando eu usei o creme da mana Guida usei tão pouco, ora para alguém que estava mesmo a pensar em usar um bom creme “neste cabelo” estava muito poupada nas doses.
Passei para o famoso “brushing”. Aliás, eu estava numa cadeira de tortura de calor, ela estava a queimar-me a cabeça e ainda por cima a enrolar-me o cabelo para dentro! Eu tinha que agir senão ia sair dali a parecer que tinha um penico na cabeça!
- Olhe, desculpe, não gosto do cabelo enrolado para dentro, faça normal, escorrido. E está a queimar-me um bocado – e dizia isto tentando ser simpática.
- Ah, sim, está certo, mas sabe este cabelo, tenho que secar muito bem e esticar muito bem. Mas vou tentar, vou tentar…
Para dai a uns segundos não aguentar ficar calada e acrescentou o que ainda não tinha dito:
- É que sabe, o seu cabelo não é um cabelo normal. É por isso…
- Normal? Normal para quem? – Perguntei eu com um ar de “explique-me como se eu fosse assim muito burra”
- Assim… normal… - e enquanto ela se esforçava para se justificar, levantou os olhos e viu a proprietária do salão que entretanto até tinha parado de por creme nas mãos e olhava para ela muito atónita, eu, sentada em frente ao espelho fui podendo apreciar este quadro delicioso, mas, coitada a proprietária que se tinha desfeito em tantos sorrisos, não merecia aquilo. E contrariando o que seria de esperar, abri o meu sorriso mais encantador, simpático e carinhoso e aplicando o golpe de misericórdia à empregada e disse:
- Mas olhe, vai passar a ser normal para si, porque vou passar a vir aqui com muita frequência. – e sorri.
A patroa, do outro lado do salão sorriu aliviada e continuou a passar creme nas mãos.
A empregada sorriu também, aliviada porque não iria receber uma reprimenda da chefe, mas ao mesmo tempo agonizando sob a ideia de me ver ali sentada outras vezes.

1 Comments:

Blogger Kalinka said...

Deliciosas as tuas histórias, Mimi.

Sabes, quando comecei com o meu blog, havia pessoas que me diziam para eu não escrever sobre factos da minha vida real, e...como sempre, outras que diziam o contrário, sabes como é?
Opiniões divergem muito, se formos a ouvir todas damos em loucas.
Mas, sempre fui muito natural e com o tempo tenho recebido elogios de ser isso mesmo «natural», conto o que é, conto as minhas férias, os filmes que vejo e gostam de me ler. O mesmo está a acontecer aqui, contas o «natural» e eu estou a adorar ler-te.
PARABÉNS.

2:57 PM  

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