Espaço para o homem
Os homens divorciam-se porque não têm e precisam de espaço, dizem eles. Lamentam-se que se sentem a sufocar, que não têm espaço para as coisas deles, que as casas estão atafulhadas com as coisas delas, que até as fotos expostas foram seleccionadas por elas. Que até o tapete da entrada foi escolhido por ela. Que os miúdos não os respeitam por causa das atitudes controladoras das mães, e que por causa delas eles são uns estranhos para os filhos com quem nunca conseguiram ganhar intimidade e com quem nunca conseguiram passar um dia inteiro sozinhos desde o dia do nascimento até aquela data. Que se não são os dias em que a empregada deixa o jantar pronto a comida era uma porcaria. Que a casa está suja, desorganizada, desarrumada, que aquela camisa que quer vestir de manhã nunca está engomada.
E lá saem eles dos T4 ou T6, com direito a uma das assoalhadas para escritório ou “toyroom” deles e metem-se nuns minúsculos T0 ou T1 com espaço ou para o sofá ou para a cama, sem moveis nem fotografias expostas, a vestirem de manhã a camisa que estiver com melhor aspecto, sem tapetes na entrada, a comerem comidas de lata, com pilhas de sacos do lixo na cozinha como se houvesse uma greve da recolha do lixo e a dizerem que não podem ficar com as crianças no fim de semana porque a casa para onde eles tiveram que se mudar após o divorcio não tem espaço.
E lá saem eles dos T4 ou T6, com direito a uma das assoalhadas para escritório ou “toyroom” deles e metem-se nuns minúsculos T0 ou T1 com espaço ou para o sofá ou para a cama, sem moveis nem fotografias expostas, a vestirem de manhã a camisa que estiver com melhor aspecto, sem tapetes na entrada, a comerem comidas de lata, com pilhas de sacos do lixo na cozinha como se houvesse uma greve da recolha do lixo e a dizerem que não podem ficar com as crianças no fim de semana porque a casa para onde eles tiveram que se mudar após o divorcio não tem espaço.

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